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Cultura
3 min de leitura

Vinhos de Portugal: jornada de Jorge e Sandra na vanguarda do Douro

Como Jorge Serôdio Borges e Sandra Tavares transformaram o panorama vinícola

Mariana Souza30 de maio de 2026 às 06:10
Vinhos de Portugal: jornada de Jorge e Sandra na vanguarda do Douro

No recente jantar realizado na última segunda-feira de maio, o Quinta da Manoella Branco 2024 foi a estrela da noite, levando até os degustadores a questionarem se o vinho era, na verdade, francês ou oriundo da icônica Borgonha. O enólogo Jorge Serôdio Borges refletiu com um misto de orgulho e resignação ao notar que muitos ainda duvidam da capacidade de Portugal em produzir vinhos dessa qualidade.

Este reconhecimento simboliza uma revolução no cenário vinícola português, onde há três décadas, os rótulos eram limitados a tintos e brancos rudimentares. O renomado movimento liderado por Jorge e sua esposa, Sandra Tavares da Silva, vem transformando essa realidade desde a virada do milênio.

Uma nova era para o Douro

Jorge e Sandra foram peças-chave na formação dos Douro Boys, um grupo que, utilizando técnicas modernas, provou que a região não só poderia fazer Vinho do Porto, mas também vinhos de mesa competitivos em todo o mundo. Embora o grupo seja predominantemente masculino, Sandra, junto com sua amiga Susana Esteban, desempenhou papel importante nessa vanguarda.

O Marquês de Pombal demarcou o Douro como a primeira região vinícola regulamentada do mundo em 1756.

A trajetória de Sandra não foi simples; antes de ser reconhecida como uma das enólogas mais influentes do país, conciliou sua paixão pela enologia com passagens no esporte e na moda. Ela foi jogadora da seleção portuguesa de vôlei e modelo internacional, mas foi seu amor pelo campo que a levou a se graduar em Agronomia com especialização em Enologia.

Uma parceria na vinicultura

O destino uniu Jorge e Sandra em 1999 durante uma festividade no Douro. Em 2001, se casaram e lançaram a Wine & Soul, que agora celebra 25 anos. A decisão de investir em um vinhedo, em vez de adquirir uma casa, definiu o rumo de suas vidas e carreiras.

O casal adquiriu uma área de pouco mais de dois hectares em Vale de Mendiz que possui vinhas centenárias e uma diversidade de castas. Jorge ilustra sua visão ao comparar a vinificação a uma orquestra, onde cada uva traz um tom único à obra final.

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Em vez de uma casa, compramos um vinhedo

Jorge Serôdio Borges.

O vinho Pintas, batizado em homenagem ao cachorro da família, consolidou a Wine & Soul entre os grandes produtores. Mais tarde, o casal assumiu a gestão da histórica Quinta da Manoella, enriquecendo sua oferta com o Quinta da Manoella Vinhas Velhas, um tinto de características elegantes que chamou a atenção de enólogos renomados.

Angelo Gaja, célebre viticultor, ficou intrigado com a leveza e frescor do vinho, que contrasta com a opulência típica dos vinhos do Douro.

Além do trabalho nas vinhas, Jorge também é apaixonado por automobilismo, tendo sido campeão em competições de velocidade. A expectativa de um novo carro para participar de corridas é algo que sempre o empolga, e ele vê paralelos entre sua carreira no vinho e sua paixão pelas pistas.

A cada viagem, ele busca tempo para aproveitar sua paixão pelo automobilismo, como ocorreu durante sua visita a São Paulo, onde assistiu ao Grande Prêmio de Fórmula 1 sob fortes chuvas, solidificando ainda mais sua conexão entre vinhos e velocidade.

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