Felipe Treitinger alerta sobre os impactos da inadimplência no setor

O crescente uso de garantias imobiliárias nas operações de crédito rural está ampliando o risco de instituições financeiras, conforme avalia Felipe Treitinger, CEO da Cumbre. Ele ressalta um descompasso entre a atuação dos bancos e a posse de propriedades agrícolas, especialmente em um contexto onde o crédito se torna mais oneroso e seletivo.
Atualmente, muitos financiamentos exigem a alienação fiduciária de imóveis rurais, cobrindo entre 40% e 50% do valor da propriedade. Essa abordagem serve como uma segurança para os bancos, mas complica a situação dos agricultores que não conseguem honrar suas dívidas.
✨ Se o produtor fica inadimplente, perde seu patrimônio enquanto o banco, muitas vezes, recebe apenas uma terra, que não gera liquidez imediata.
Embora os imóveis possam ter um valor significativo, eles costumam estar fora do foco financeiro dos bancos, que necessitam de retornos rápidos. Existem poucas exceções, onde grupos possuem estratégias imobiliárias e estão dispostos a manter ativos rurais na esperança de um novo ciclo de valorização.
Treitinger aponta que o desafio enfrentado pelo agronegócio não se resume a aumentar a produção, mas inclui a necessidade de desenvolver modelos financeiros que se alinhem às variáveis diárias do setor, como clima e flutuações de moeda e preços.
Para um crédito saudável, é essencial que se preserve a capacidade de produção no campo, mantendo o papel dos bancos focado em sua missão principal.
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Jornalista especializado em Economia

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