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Cultura
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Vladimir Safatle analisa fascismos em 'A Ameaça Interna'

Um olhar crítico sobre a natureza do fascismo nas sociedades contemporâneas

Giovani Ferreira30 de abril de 2026 às 16:30
Vladimir Safatle analisa fascismos em 'A Ameaça Interna'

O filósofo e psicanalista Vladimir Safatle, em seu novo livro 'A Ameaça Interna: Psicanálise dos Novos Fascismos', propõe uma profunda reflexão sobre as dinâmicas fascistas presentes nas sociedades contemporâneas, diante de um cenário global inquietante.

Embora muitas das ideias apresentadas já estejam circulando de maneira sutil nos meios acadêmicos e na mídia, Safatle reúne essas discussões de forma coesa, almejando evitar que a sociedade siga por um caminho destrutivo, conforme a metáfora do 'freio de emergência' do pensador Walter Benjamin.

O fascismo é visto não apenas como uma remanescente forma de governo do século XX, mas como uma força estrutural persistente, que se manifesta em condições sociais e econômicas específicas.

Safatle descreve o fascismo como uma forma de violência social que penetra no cerne das sociedades liberais, contrastando com a ideia de 'democracias liberais', que ele argumenta nunca ter realmente existido.

O livro é estruturado em cinco capítulos, sendo que o primeiro analisa a 'guerra infinita' que sustenta a governabilidade fascista, marcada pela naturalização da violência estatal contra um suposto 'inimigo público'.

No segundo capítulo, Safatle explora a relação entre o sofrimento humano e o fascismo, contestando a ideia de que a adesão a movimentos extremos seria uma condição patológica, mas sim uma escolha racional em um cenário de crise.

Os capítulos seguintes desvendam as autodestruições tanto do Estado quanto do indivíduo, criticando a noção prevalente de liberdade individual como sinônimo de posse e propriedade.

Por fim, no último capítulo, ele aborda a batalha cultural em que os fascismos buscam moldar os afetos e opiniões da sociedade, afirmando que o verdadeiro projeto fascista vai além da política – é um projeto de reestruturação social.

Safatle utiliza a obra para discutir a apatia diante de catástrofes sociais, como o genocídio palestino, ligando suas reflexões à atualidade e desafiando o leitor a imaginar um futuro político mais vibrante.

O livro se torna um alerta não só para o atual estado político do Brasil, mas para o quadro global de ascensão do autoritarismo e da exclusão.

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