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Acordo UE-Mercosul gera oportunidades e desafios para o Brasil

Implementação do tratado determina mudanças no comércio brasileiro

Gabriel Rodrigues01 de maio de 2026 às 01:01
Acordo UE-Mercosul gera oportunidades e desafios para o Brasil

O acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul inicia sua aplicação provisória hoje, após uma longa espera de mais de 20 anos. Essa implementação, ainda que gradual, já começa a impactar as exportações brasileiras de maneira significativa.

Mais de 80% dos produtos brasileiros exportados para a UE terão tarifa de importação zerada desde o início.

Com a inclusão de mais de 5 mil itens no mercado europeu sem impostos, as empresas brasileiras ampliam seu espaço no comércio exterior. Apesar do Brasil ser o principal beneficiado neste cenário, concentrando a maior parte das relações comerciais do Mercosul com a UE, os ganhos poderão ser desiguais entre diferentes setores e regiões do país.

Impacto Econômico

Estimativas do governo indicam que o impacto no PIB brasileiro poderá ficar entre 0,3% e 0,5% até 2040, com efeitos mais acentuados nas áreas ligadas ao comércio exterior.

A professora Regiane Bressan, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), observa que o acordo trará novas oportunidades, mas também evidenciará as fragilidades estruturais do Brasil. "Beneficia os já competitivos, enquanto pressiona aqueles que dependem mais do mercado interno", comenta.

Quem se destaca no curto prazo?

O setor que deverá ver os resultados mais positivos de imediato é o agronegócio, que possui forte capacidade de exportação. Produtos como carnes, óleos, açúcar e etanol estão entre aqueles que prometem aumentar suas vendas para a UE, mesmo com algumas restrições para itens sensíveis.

Esses benefícios são especialmente significativos para regiões como o Centro-Oeste, que concentra produção de grãos e proteína animal.

Indústria também ganha com o acordo

Diferentemente de acordos anteriores, este tratado favorecerá de maneira imediata a indústria exportadora. Dados revelam que cerca de 93% dos 2.932 produtos brasileiros que entrarão na UE estarão livres de tarifas. Setores como máquinas, metalurgia e produtos químicos se destacam entre os beneficiados.

Benefícios futuros para a indústria

Com a redução gradual das tarifas sobre insumos e componentes importados da UE, indústrias que dependem de tecnologia europeia também poderão usufruir de menores custos e melhorias em sua competitividade. No entanto, especialistas advertem que isso depende de investimentos e um ambiente de negócios mais favorável.

Setores em risco

Entretanto, o acordo também pode representar desafios para setores menos competitivos que atendem principalmente o mercado interno. Apesar da implementação gradual das tarifas, espera-se que a concorrência com produtos europeus de maior qualidade cresça, o que poderá levar a uma gradual perda de participação de mercado para esses setores.

Além disso, a agricultura familiar e pequenos produtores, especialmente em segmentos como queijos e produtos artesanais, podem enfrentar dificuldades em competir com produtos europeus, que frequentemente são subsidiados.

"

A adaptação a esse novo cenário exigirá mudanças rápidas, acesso a crédito e políticas públicas que realmente apoiem esses segmentos

Regiane Bressan

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