Avanços sociais e desafios estruturais marcam o legado de Lula III.

São evidentes as nuances da avaliação econômica do terceiro mandato do presidente Lula. O controle das contas públicas se revelou razoável, especialmente quando comparado aos anos anteriores.
Os déficits primários, que apresentaram média inferior a 1% do PIB anualmente, contrastam com os resultados negativos observados durante os mandatos de Temer e dos primeiros anos de Bolsonaro.
✨ Embora a narrativa pública sugira descontrole fiscal, a análise dos números revela que a questão central está na política monetária e não na expansão descontrolada do gasto primário.
Com o choque de juros implementado pelo Banco Central em 2025, o déficit nominal subiu, adicionando pressão sobre as contas do governo. É a taxa básica elevada que enfatiza o custo de rolagem da dívida pública.
O Brasil testemunhou um aumento significativo nas transferências sociais, cerca de 400 bilhões de reais anuais, consolidando-se como um pilar para a economia ao estimular o consumo das famílias.
Com o pleno emprego alcançado e crescimento médio de 3% ao ano, a combinação de transferências mais robustas e aumento do salário mínimo contribuiu para a estabilidade econômica, mas também pressionou a inflação.
Apesar dos avanços, o Brasil continua a enfrentar um desafio estrutural, com baixa taxa de investimento e capacidade produtiva insuficiente. O foco em serviços de baixa complexidade e commodities limita o potencial de crescimento.
O programa Nova Indústria Brasil, embora reconhecido, não conseguiu trazer a necessária transformação, limitada pelas altas taxas de juros que dificultam os investimentos industriais.
A contradição entre a expansão da demanda e o aumento da taxa Selic evidencia a falta de estratégias focadas na ampliação da capacidade produtiva.
Com um legado que combina avanços sociais com lacunas estruturais, o desafio se mantém: aumentar a sofisticação econômica e a taxa de investimento para evitar a armadilha da renda média.
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Jornalista especializado em Economia

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