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Arrecadação na América Latina pesa sobre os mais pobres, diz Oxfam

Tributação do consumo agrava desigualdade na região

Gabriel Rodrigues28 de junho de 2026 às 03:20
Arrecadação na América Latina pesa sobre os mais pobres, diz Oxfam

Segundo um novo relatório da Oxfam, a arrecadação de impostos na América Latina é predominantemente financiada pelas classes mais baixas, o que perpetua a desigualdade ao invés de combatê-la. A análise destaca que a política fiscal da região prioriza a tributação do consumo em vez da renda.

Um sistema tributário desigual

Historicamente, a taxa de imposto na América Latina é insuficiente e injusta, como afirma a Oxfam em seu estudo "Riqueza sem controle, democracia em risco". 'A estrutura tributária desperdiça seu potencial de redistribuição e beneficia aqueles que mais têm', diz a diretora de programas da Oxfam na região, Verónica Paz Arauco.

Os lares de baixa e média renda arcam com cerca de 45% de sua renda em impostos, enquanto o 1% mais rico contribui com menos de 20%.

Comparações internacionais

A arrecadação fiscal na América Latina, em relação ao PIB, é notavelmente inferior à de países da OCDE, onde a carga tributária frequentemente supera 35%. A Oxfam destaca que a tributação sobre consumo rege o sistema, enquanto os tributos sobre renda e riqueza são muito baixos.

Os desafios da informalidade

Além disso, a alta taxa de informalidade no mercado de trabalho impede que os governos arrecadem impostos diretos. Aproximadamente 46,7% dos trabalhadores na América Latina estão em empregos informais, conforme a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Concentração de riqueza

Um considerável número de bilionários na região possui uma riqueza que equivale a 622,9 bilhões de dólares, uma quantia que se aproxima do PIB combinado do Chile e do Peru. Esse acúmulo de riqueza por poucos tem consequências diretas na falta de recursos para serviços públicos essenciais.

Caminhos para a justiça tributária

Especialistas sugerem que a solução não é eliminar impostos sobre consumo, mas sim garantir que sejam mais justos. Reformas que ampliem a base tributária e aumentem a equidade são essenciais para que a América Latina construa um sistema tributário mais inclusivo.

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