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economia
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Banco Central reduz Selic em meio a tensões no Oriente Médio

Corte ocorre em contexto de inflação crescente e mudanças na liderança

Ricardo Alves29 de abril de 2026 às 20:35
Banco Central reduz Selic em meio a tensões no Oriente Médio

O Banco Central do Brasil decidiu, de forma unânime, cortar a Taxa Selic pela segunda vez consecutiva, reduzindo-a em 0,25 ponto percentual, agora estabelecida em 14,5% ao ano, apesar das tensões decorrentes da guerra no Oriente Médio.

A Selic permaneceu elevada em 15% ao ano durante quase um ano, o mais alto nível em duas décadas.

Essa decisão já era antecipada pelos analistas do mercado financeiro e acontece em um momento de queda da inflação, embora a situação internacional esteja complicando o cenário econômico interno. A recente escalada da guerra na região impactou os preços de alimentos e combustíveis, o que complicou o trabalho do Comitê de Política Monetária (Copom).

O Copom enfrentará um desafio adicional, uma vez que dois de seus diretores têm seus mandatos expirados e ainda não foram substituídos, uma situação que poderia afetar a condução da política monetária. Além disso, o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, estará ausente devido a um falecimento familiar.

Projeções e Desafios para a Inflação

A nota oficial do Banco Central indicou que a incerteza sobre a duração do conflito no Oriente Médio elevou consideravelmente as dúvidas em relação às projeções de inflação. No momento, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou um crescimento significativo, atingindo 4,37% em doze meses, o que está acima da meta desejada pelo Copom.

O novo sistema de metas em vigor desde janeiro de 2025, estipula que a meta para a inflação é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 pontos percentuais. Com a guerra, as expectativas de inflação para o ano foram elevadas, e o mercado agora projeta um fechamento em 4,86%.

Impactos da Redução da Taxa Selic

A diminuição da Selic é um passo estratégico para estimular a economia, já que juros mais baixos facilitam o acesso ao crédito, encorajando o consumo e a produção. Contudo, essa dinâmica também representa um risco, pois poderia dificultar ainda mais o controle da inflação.

O Banco Central mantém a previsão de crescimento do PIB em 1,6% para 2026, ligeiramente abaixo das expectativas do mercado que giram em torno de 1,85%.

Com a recente redução, o Copom tem a expectativa de monitorar de perto a inflação e os efeitos da guerra, antes de decidir sobre novos cortes na taxa de juros.

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