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economia
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Banco Master gera R$ 1,6 bi com venda a CredCesta em 2024

Investigações revelam lucro maior na revenda de operações do que em empréstimos.

Carlos Silva13 de abril de 2026 às 04:15
Banco Master gera R$ 1,6 bi com venda a CredCesta em 2024

Os registros financeiros do Banco Master indicam que, em 2024, a venda de suas operações de crédito consignado para o CredCesta resultou em uma receita superior à arrecadação proveniente dos juros dessas operações com os servidores públicos.

Essas informações, desprendidas da escrituração contábil do banco e submetidas à Receita Federal, foram utilizadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a relação do banco com o crime organizado.

Em 2024, o Banco Master obteve R$ 1,6 bilhão com vendas do CredCesta e R$ 709 milhões com empréstimos consignados.

O CredCesta é um cartão de benefício consignado destinado a servidores públicos, aposentados e pensionistas, que permite o desconto das parcelas diretamente da folha salarial. Ao longo de dois anos, entre 2022 e 2024, o Master acumulou R$ 2,4 bilhões com a venda de sua carteira de consignados associados ao CredCesta, superando os R$ 1,9 bilhão registrados em arrecadação com os mesmos empréstimos.

Esses dados sugerem que o banco, sob a liderança de Daniel Vorcaro, estava apostando no valor agregado que poderia obter ao revender essas carteiras de crédito.

Entendendo o Ágio

Ágio refere-se à expectativa de lucro futuro que se pode obter em uma transação, além do valor imediatamente pago por ela.

No ano de 2024, o banco registrou um direito a receber de R$ 10,5 bilhões relacionados ao CredCesta, potencialmente resultante de novos empréstimos ou recompra de carteiras previamente vendidas. Contudo, o banco também reportou uma baixa de R$ 14,4 bilhões, consequência do recebimento de parcelas e da venda de parte de sua carteira a terceiros.

Embora a Receita Federal tenha recebido essas informações, não foram reveladas as instituições financeiras que adquiriram as operações em 2024. Relatos de investigações pela Polícia Federal sugerem relações significativas entre o Banco Master e o Banco Regional de Brasília a partir de junho desse ano.

CredCesta: Uma Porta de Entrada Estratégica

O CredCesta representou a introdução do Banco Master na área de crédito consignado e estabeleceu conexões com figuras do Partido dos Trabalhadores na Bahia. Na privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), realizada em 2018, o empresário Augusto Lima se destacou como o único licitante, adquirindo os direitos de operação do CredCesta.

O processo foi supervisionado pelo então governador Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, e pelo senador Jaques Wagner. O edital da privatização garantiu que os direitos de exploração comercial do CredCesta seriam mantidos por 15 anos.

Dessa forma, o modelo foi transformado em um cartão de crédito consignado, oferecendo aos servidores uma forma conveniente de pagamento. Essa combinação de regulamentações aumentou o valor percebido do CredCesta, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo Cesta do Povo.

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Naquele período, uma das atribuições da pasta era conduzir o processo de venda do Supermercado Cesta do Povo, ocasião em que o referido empresário apresentou proposta e arrematou o ativo

Jaques Wagner.

A Revelação de Carteiras Problemáticas

Documentos internos do Banco Regional de Brasília indicam que, no momento da aquisição do Banco Master, a equipe técnica já estava ciente de que parte das carteiras de crédito consignado oferecidas por Vorcaro carecia de lastro, sendo consideradas 'podres'.

O que é Lastro?

Lastro é uma garantia que assegura que o desconto das parcelas ocorre de maneira autorizada e respaldada por documentos adequados.

A análise abrangia cerca de 1,9 milhão de contratos, revelando um risco significativo. Alguns desses contratos, comprados pelo Master por R$ 6,3 bilhões, foram posteriormente repassados ao BRB por R$ 11,5 bilhões.

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