Voltar
economia
2 min de leitura

Cachaça pede reforma tributária justa para não prejudicar produtores

Entidades do setor alertam sobre os efeitos do Imposto Seletivo

João Pereira25 de maio de 2026 às 16:30
Cachaça pede reforma tributária justa para não prejudicar produtores

Na última segunda-feira (25), representantes da cadeia produtiva da cachaça divulgaram o Manifesto da Cachaça, que clama pela adoção de critérios técnicos na fiscalização tributária das bebidas alcoólicas, especialmente africadas pelo potencial impacto do Imposto Seletivo.

O manifesto, assinado por 17 entidades do setor, exorta as autoridades políticas a garantirem que a estrutura do Imposto Seletivo seja claramente definida, assegurando simplicidade e segurança jurídica.

A proposta inicial do Poder Executivo sugeria uma tributação que equilibrava uma parte fixa, baseada na quantidade de álcool, com uma parte variável conforme o valor da bebida.

O Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC) alertou que as mudanças aprovadas pelas instituições legislativas podem resultar em alíquotas diferenciadas para produtos e em uma tributação desproporcional, uma vez que o álcool já é considerado na parte fixa.

Preocupações com a regulamentação

Carlos Lima, presidente do IBRAC, expressou preocupação de que a introdução de múltiplas alíquotas deveria ser analisada. Ele afirmou que isso aumentaria a complexidade do sistema tributário e geraria insegurança, dificultando a fiscalização.

A proposta atual mantém disparidades tributárias entre as bebidas alcoólicas, mesmo diante de diferentes padrões de consumo no Brasil.

Hoje, os brasileiros consomem, em média, 80 litros de cerveja por ano, em contraste com apenas 4,1 litros de destilados como cachaça. Entretanto, o setor da cachaça arca com tributações quatro vezes maiores que as da cerveja.

O manifesto acentua a necessidade de um regime tributário que desestimule o consumo excessivo de álcool e preveja equilíbrio entre diferentes bebidas.

Impactos sobre pequenos produtores

Além disso, o IBRAC se manifestou sobre as implicações para pequenos produtores que podem enfrentar encarecimento na tributação, mesmo apresentando faturamentos semelhantes aos de grandes empresas de cerveja.

Um pequeno produtor de cachaça, com faturamento de R$ 360 mil, pode enfrentar uma carga tributária mais elevada que a de um cervejeiro com o mesmo lucro.

O aumento da carga tributária sobre a cachaça após 2015 já desencadeou um crescimento na informalidade no mercado, com a revisão das diferenças entre as categorias de bebidas alcoólicas como um fator crucial.

Dados do setor

O setor da cachaça gera 600 mil empregos diretos e indiretos no Brasil, com 1.266 estabelecimentos registrados em 735 municípios. As exportações atingiram US$ 17,1 milhões em 2025, com presença em 77 países.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de economia