Desvio nos fluxos de capitais impacta tensões comerciais globais

Um novo relatório indica que a China está passando por uma transformação significativa no cenário global de investimentos, caracterizada pela redução no fluxo de capital estrangeiro, enquanto os investimentos chineses no exterior ganham força.
Conforme análise de André Galhardo Fernandes, baseada no World Investment Report 2026 da UNCTAD, o investimento estrangeiro direto recebido pela China caiu 10% em 2025, totalizando US$ 104,7 bilhões. Este montante representa uma redução de 45% em relação ao pico alcançado em 2022.
✨ Anúncios de projetos greenfield no país também diminuíram, caindo 43,4% para apenas US$ 23,9 bilhões.
Em contrapartida, as empresas chinesas têm investido fortemente no exterior, anunciando US$ 131,9 bilhões em projetos greenfield, um crescimento de 56,8% em comparação a 2024. O total de investimentos chineses fora do país também cresceu 14%, atingindo US$ 3,58 trilhões.
A mudança nos fluxos de capital sugere que o investimento produtivo ligado à China está se deslocando para outras regiões em um ritmo mais acelerado do que a entrada de novos investimentos no país. Nesse novo cenário, o México destacou-se ao voltar a figurar entre os dez principais destinos de investimento global, recebendo US$ 41 bilhões em 2025.
O México tem atraído projetos industriais, aproveitando a reestruturação das cadeias produtivas e sua proximidade com o mercado dos Estados Unidos. No entanto, dados oficiais indicam que apenas US$ 2,3 bilhões líquidos provenientes da China foram registrados de 2017 a 2024, sugerindo que uma parte significativa do capital poderia estar sendo disfarçada como originário de outras nações devido ao uso de afiliadas offshore.
A transformação nos investimentos da China sinaliza uma realocação produtiva que pode não ser totalmente refletida nas estatísticas oficiais e evidencia a expectativa de continue nas disputas comerciais globais nos próximos anos.
"A expansão dos investimentos chineses fora do país é um indicativo direto das futuras tensões comerciais que podemos esperar a longo prazo.
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Jornalista especializado em Economia

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