Dados do Banco Central mostram aumento significativo na inadimplência entre famílias com rendas mais altas.

A inadimplência no Brasil não poupou nem mesmo as famílias de renda mais alta, conforme apontam os novos dados do Sistema de Informações de Créditos (SCR) do Banco Central. Em agosto, a taxa de inadimplência cresceu 38,8% entre aqueles que recebem de 10 a 20 salários mínimos e 35,8% entre quem ganha acima de 20 salários mínimos em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Embora as famílias de alta renda mantenham taxas de inadimplência inferiores, foi nelas que as porcentagens de crescimento foram mais acentuadas no último ano. Especialistas ressaltam a preocupação com o uso do crédito rotativo do cartão de crédito, um recurso com alta taxa de juros e que pode ser acessado rapidamente.
✨ Os dados de setembro indicam que a taxa média de juros do crédito rotativo chegou a 451,7% ao ano, ou 15,29% ao mês. Já os juros do parcelamento da fatura atingiram 193% ao ano.
A necessidade de um controle mais rigoroso sobre o uso do cartão é destacada por especialistas. Fabio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, observou que, embora o cartão possa ser uma ferramenta que auxilia na gestão do orçamento, muitos o veem como uma forma de esticar o orçamento no curto prazo, resultando em juros exorbitantes.
Paradoxalmente, o cenário de juros altos também ocorre em um ambiente de expansão do crédito às famílias. O Banco Central reportou um crescimento de 9,9% no estoque das operações de crédito para pessoas físicas nos 12 meses até setembro. O crédito rotativo do cartão de crédito viu uma elevação de 12,6%, somando R$ 37,3 bilhões em setembro.
Mudanças comportamentais, propiciadas pelo acesso facilitado à compra por meio da internet, também têm contribuído para o aumento do uso do crédito. Alexandre Amorim, planejador financeiro, destaca que a conversão de compras impulsivas pode ser um fator significativo para o endividamento.
A inflação permanecendo alta complica ainda mais a situação financeira. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou uma alta de 0,32% em outubro, com um acumulado de 4,62% nos últimos 12 meses.
A nova taxa Selic de 13,75% ao ano, que começou a cair, traz alívio, mas os efeitos do período de taxas elevadas continuam a impactar o orçamento das famílias. O economista Bentes alerta que a população tende a pagar o preço elevado por essa facilidade do crédito.
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, divulgada pela CNC, revelou que em outubro, 81,6% das famílias relataram ter dívidas, uma leve queda em relação a setembro. O percentual de famílias endividadas que estão com dívidas em atraso foi de 29,3% em outubro, uma redução em relação ao ano anterior.
De acordo com as faixas de renda, a redução no percentual de endividados foi notada na faixa inferior, mas crescimento foi observado entre famílias com renda de 5 a 10 salários mínimos.
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