Crescimento do PIB agro não garante lucros para produtores rurais
Economista alerta sobre margens apertadas em várias cadeias produtivas

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou um crescimento de 2% no PIB do agronegócio, mas isso não significa que os produtores rurais estejam mais rentáveis. O economista Felippe Serigati, da FGV Agro, destaca que as margens de lucro continuam 'desconfortáveis' para várias cadeias produtivas.
De acordo com Serigati, embora a safra atual seja considerável em termos de volume, muitos agricultores enfrentam uma situação financeira complicada, caracterizada por altos níveis de endividamento e custos elevados de capital. 'Estamos vendo que a safra 2025/26 está sendo gerada com margens bastante estreitas, embora algumas culturas, como o café, estejam em melhor situação', observa.
✨ Novas projeções indicam que o PIB do agro poderá sofrer uma retração de 0,9% em 2026, enquanto a economia brasileira deve crescer 1,7%.
O crescimento no agronegócio foi conforme esperado pela FGV, que previa uma alta de 1,9%. A soja, com uma safra prevista de 180 milhões de toneladas, foi o destaque, refletindo não apenas sua relevância como principal produto agropecuário do Brasil, mas também uma forte expansão na produção, com uma parte ainda a ser colhida no segundo trimestre.
Desempenho de Outros Produtos Agrícolas
O IBGE, por sua vez, registrou quedas nas estimativas anuais de produtos como milho (-2,5%) e arroz (-10,6%). Segundo Serigati, a diminuição na área destinada ao milho deve-se em parte ao aumento na área plantada de soja. 'A principal safra de milho ocorre agora, conhecida como a safrinha', ressalta o economista.
Quanto ao arroz, o recuo deve ser visto dentro de um contexto maior. 'No ano passado, colhemos 12,8 milhões de toneladas, superando o consumo interno de 10,5 milhões. Isso levou a uma sobreoferta no mercado, resultando em preços muito baixos, e muitos agricultores ficaram no vermelho', explica.
Essa situação negativa levou à diminuição da área plantada de arroz, sendo que o mercado começa a retornar à normalidade. 'Embora os números possam parecer ruins para o PIB, analisando a realidade do setor, podemos considerar isso uma boa notícia', conclui.
Serigati ainda critica a percepção de que o setor agro foi o grande impulsionador do crescimento do PIB. Ele esclarece que, apesar da maior taxa de crescimento, a contribuição do agronegócio é menor em relação ao setor de serviços. O especialista também observa que os impactos do conflito no Oriente Médio ainda não refletem nos números do PIB, e a instabilidade geopolítica pode elevar os preços dos insumos, especialmente fertilizantes.
Contexto Econômico
O fenômeno El Niño também é uma preocupação para a próxima safra, com possíveis repercussões climáticas que podem afetar a produção agrícola.
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