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economia
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EUA não devem negociar tarifas sobre produtos brasileiros, diz ex-embaixador

Rubens Barbosa aponta que flexibilização só será possível para produtos específicos

Acro Rodrigues03 de junho de 2026 às 18:00
EUA não devem negociar tarifas sobre produtos brasileiros, diz ex-embaixador

Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil, expressou ceticismo em relação à possibilidade de os Estados Unidos negociarem as novas tarifas que afetarão produtos brasileiros. Ele acredita que quaisquer flexibilizações estarão restritas a itens específicos.

Barbosa ressaltou, em entrevista ao Valor, que a tarifa em questão é parte do mecanismo da Seção 301, que se baseia em investigações unilaterais, sem espaço para negociação por parte do governo brasileiro. "O Brasil apresentará sua defesa, abordando questões como o desmatamento, mas a decisão final ficará a cargo dos EUA", avaliou.

As novas tarifas totalizam 37%, abaixo dos 40% considerados ilegais pela Suprema Corte dos EUA.

Barbosa comentou que os argumentos que o Brasil irá utilizar na audiência marcada para o dia 6 de julho são os mesmos já apresentados anteriormente, o que provavelmente não resultará em mudanças nas tarifas. Ele ressaltou que o país já havia se manifestado sobre a situação previamente.

O ex-embaixador acredita que a única chance de êxito reside em negociações em torno de produtos específicos, como o café solúvel. Para isso, ele sugere que os empresários brasileiros se comuniquem diretamente com compradores americanos para tentar influenciar a decisão do governo dos EUA.

No entanto, Barbossa considera improváveis alterações nas tarifas de açúcar e pescados, que não estão isentos nas novas tarifas, devido a questões como cotas distribuídas para a América Central. Quanto ao etanol, destaca que o Brasil pode ter espaço para conversas, mas isso exigirá um entendimento com a indústria local.

"Se o Brasil apresentar uma proposta para diminuir a tarifa sobre o etanol, poderá negociar a isenção do café solúvel", concluiu. Contudo, ele adverte que sem uma redução da tarifa doméstica sobre o etanol, nenhuma mudança significativa deverá ocorrer.

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