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economia
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Governo amplia bloqueio orçamentário para R$ 23,7 bilhões devido a despesas

Crescimento dos gastos com BPC e previdência desafia regras fiscais

Camila Souza Ramos01 de julho de 2026 às 04:20
Governo amplia bloqueio orçamentário para R$ 23,7 bilhões devido a despesas

Em resposta ao aumento das despesas com benefícios sociais e previdência, o governo federal ampliou o bloqueio orçamentário para R$ 23,7 bilhões. Esse movimento reflete a crescente pressão que os gastos estão exercendo sobre o orçamento público.

Os dados de maio revelam que as despesas do governo se aproximam do recorde histórico de R$ 2,822 trilhões registrados em novembro de 2020. Atualmente, a soma das despesas é de R$ 2,633 trilhões, apenas R$ 189,5 bilhões abaixo do pico da pandemia.

Despesas sob pressão

Alexandre Schwartsman, economista, apontou que a escalada nas despesas é amplamente impulsionada pelos gastos com previdência, que totalizam R$ 1,117 trilhões, e pelo BPC, impactando severamente o orçamento e os investimentos do governo. Esse crescimento automático dos gastos, atrelado aos reajustes do salário mínimo baseado na inflação, pode levar a um desvio das normas fiscais vigentes.

A análise mostra que os gastos obrigatórios estão se expandindo de forma insustentável, superando o limite de crescimento de 2,5% ao ano acima da inflação.

Em resposta ao crescimento projetado de R$ 14,1 bilhões para o BPC, e R$ 11,5 bilhões para os Benefícios Previdenciários, o governo se vê obrigado a restringir outros setores do orçamento.

Desafios nas contas públicas

Murilo Viana, especialista em contas públicas, descreveu a situação do orçamento como um 'shutdown à brasileira', com as despesas obrigatórias sufocando as discricionárias, resultando em cortes significativos em áreas essenciais, incluindo agências reguladoras e tecnologia.

Viana enfatiza a urgência de um controle mais rígido sobre o crescimento das despesas, alertando que a inação poderá levar a uma paralisia da máquina pública até 2027.

Além disso, a crescente dívida pública, que alcançou R$ 8,798 trilhões em abril, levanta preocupações sobre a capacidade do governo de gerenciar suas finanças a longo prazo. Solange Srour, do UBS GWM, relata que a tendência é preocupante, com uma iminente possibilidade de recessão se as contas públicas não forem ajustadas rapidamente.

Especialistas defendem reformas estruturais, inclusive uma nova reforma da previdência, para conter a escalada das despesas obrigatórias.

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