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Economia
2 min de leitura

Inadimplência cai, mas endividamento das famílias sobe para 82%

Dados da CNC revelam aumento do comprometimento financeiro das famílias.

Gabriel RodriguesAtualizado 06 de agosto às 21:10
A
Inadimplência cai, mas endividamento das famílias sobe para 82%

Três meses após o início do Desenrola 2.0, uma iniciativa do governo federal para facilitar a renegociação de dívidas, o índice de inadimplência entre as famílias brasileiras caiu ligeiramente para 29,8% em julho. Contudo, esse avanço é ofuscado pelo aumento no endividamento geral, que atingiu 82%, o maior patamar histórico, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Cenário de endividamento

O levantamento da CNC revelou que a taxa de endividamento cresceu 0,4 ponto percentual em comparação a junho, quando o percentual era de 81,6%, e um aumento considerável de 3,5 pontos em relação ao mesmo mês do ano passado. Essa situação reflete as dificuldades financeiras enfrentadas pelas famílias, apesar da leve queda na inadimplência.

"

Os recordes negativos de endividamento têm impacto não só no comércio, mas também em outros setores da economia

— José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.

Embora o Desenrola 2.0 tenha gerado um ambiente de renegociação, a pesquisa também mostrou um aumento de 19% no número de consumidores que dedicam mais de metade de sua renda mensal ao pagamento de dívidas, o maior índice desde março deste ano. Em média, esses consumidores direcionam 29,5% de seus rendimentos para quitar débitos.

Efeitos do programa

✨ O tempo médio de atraso das contas caiu para 64,6 dias, o menor desde dezembro de 2025.

O estudo também indicou uma queda no tempo médio de atraso para 64,6 dias, marcando a terceira redução consecutiva e o menor nível desde dezembro de 2025. Além disso, o percentual de inadimplentes com atrasos superiores a 90 dias diminuiu para 48,5%, a menor taxa desde agosto de 2025.

Ao investigar as percepções dos consumidores, 35% se consideraram pouco endividados, enquanto 17,1% se identificaram como muito endividados, uma leve diferença em relação a junho.

Impacto por faixa de renda

Uma análise da situação revelou que a inadimplência diminuiu entre os grupos de maior renda, mas piorou entre aqueles que ganham até três salários mínimos. A proporção de endividados nessa faixa subiu para 84,9%, enquanto as famílias com renda acima de 10 salários mínimos registraram aumento no nível de endividamento, mas também uma queda na inadimplência, passando de 15,4% em junho para 15,1% em julho.

Gabriel Rodrigues

Jornalista especializado em Economia com mais de 10 anos de experiência. Apaixonado por contar histórias que fazem a diferença.

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