Com fechamento de empresas e perda de empregos, modelo econômico é questionado.

A indústria argentina enfrenta uma grave crise, simbolizada pela fábrica de sapatos Kioshi, que passou de 120 funcionários em 2023 para apenas 14 atualmente. O cenário reflete os desafios impostos pelo governo de Javier Milei, que busca desregulamentar a economia e destaca a queda da inflação.
Empresários, no entanto, apontam a perda de empregos, a concorrência desleal e a retração do consumo. Emmanuel Fernández, diretor da Kioshi, afirmou que o mercado interno está morto, dificultando as vendas de calçados.
✨ Desde agosto de 2023, aproximadamente 90 mil empregos foram perdidos na indústria argentina, e cerca de 30 mil empresas encerraram atividades.
Na mesma linha, Miguel Márquez, um trabalhador de longa data da fábrica Clariant, também viu suas esperanças de emprego formal desmoronarem, resultado do fechamento da unidade em 2025 devido à transferência de produção para o Brasil.
O ministro da Economia, Luis Caputo, respondeu às queixas dos empresários, afirmando que seu compromisso é com o bem-estar dos argentinos, não de interesses empresariais específicos, e ressaltou a necessidade de competição no mercado.
Ainda assim, empresários como Alejandro Mayer, da fábrica de circuitos Ernesto Mayer, alertam sobre os desafios de competir com produtos importados, destacando os altos juros e uma carga tributária restritiva.
Enquanto isso, a produção manufatureira caiu 5% entre junho e julho de 2023, marcando a maior queda em 16 meses. A crescente pressão dos custos levou muitas pequenas fábricas a reduzir suas operações.
A perda de empregos e a fragilidade do consumo configuram um cenário desafiador para Javier Milei, que tentará a reeleição em 2027. O descontentamento crescente entre os trabalhadores é evidente em locais como a Kioshi, onde pedidos de antecipação salarial se tornaram comuns entre os funcionários.
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Jornalista especializado em Economia

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