Mercado de café no Sudeste Asiático enfrenta desafios de oferta
Restrições de produção impactam as vendas e os preços do café na região

O mercado de café no Sudeste Asiático tem operado de maneira moderada, influenciado pela escassez de oferta proveniente do Vietnã e da Indonésia, conforme relata a Hedgepoint Global Markets.
Essa situação é provocada pela retenção de vendas por parte dos produtores vietnamitas, o atraso da colheita indonésia devido a chuvas intensas e o crescente receio sobre os efeitos climáticos associados ao fenômeno El Niño.
✨ Até abril, as exportações de café do Vietnã alcançaram 18,6 milhões de sacas, 23,9% a mais em relação ao mesmo período do ciclo anterior.
Os agricultores vietnamitas se beneficiaram de preços favoráveis e de uma produção robusta nesta temporada, além da ausência de oferta brasileira, o que impulsionou as vendas no início da safra.
No entanto, com a maior parte da produção já comercializada e a entrada em entressafra, os produtores reduziram o ritmo de vendas, forçando os compradores a procurarem a Indonésia. Contudo, este país também está lidando com limitações de oferta.
Laleska Moda, analista da Hedgepoint, explica que as chuvas intensas atrasaram o início da colheita indonésia da safra 26/27, impactando a disponibilidade do café e as quantidades exportadas em março.
"A expectativa era que a recém-iniciada safra indonésia começasse a produzir em abril, com volumes significativos a partir de maio. Mas os fortes temporais atrasaram esses planos, limitando o produto no mercado.
Esse quadro também ajudou a manter os preços do café robusta em alta, já que a safra brasileira 26/27 ainda não se desenvolveu conforme programado, e a valorização do real ante o dólar desestimulou as vendas brasileiras no curto prazo.
Contexto
Após um março chuvoso, abril trouxe chuvas abaixo da média no Vietnã, levantando preocupações sobre as condições das lavouras, especialmente devido ao impacto potencial do El Niño nas próximas semanas.
Embora até o momento não tenham sido relatados impactos negativos significativos, há previsão de chuvas adicionais, que devem ajudar os agricultores, segundo Laleska.
Os riscos climáticos de longo prazo permanecem uma preocupação para futuras safra, especialmente para a 27/28, em virtude da possibilidade do El Niño afetar a irrigação e a floração do café.
Recentemente, as vendas de café na região diminuíram em razão do estoque reduzido e do ritmo acelerado de comercialização inicial observado no Vietnã, seguido por atrasos na colheita indonésia, intensificando as restrições de oferta.
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