Mercado de petróleo global deve seguir em déficit no 3º trimestre de 2026
Cenário atual exige atenção devido a interrupções na oferta

O mercado de petróleo global está projetado para operar em déficit até o final do terceiro trimestre de 2026, mesmo após a recente trégua do conflito entre Estados Unidos e Irã, que inicialmente aliviou a pressão sobre os preços.
Segundo a 36ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, divulgado em 7 de julho, o segundo trimestre de 2026 foi marcado pela mais significativa interrupção da oferta de petróleo na recente história, devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz e à escalada do conflito no Oriente Médio.
Esses eventos levaram os preços do petróleo Brent a ultrapassarem os USD 118 por barril no final de abril, o nível mais alto em quatro anos. Embora o acordo de cessar-fogo mediado pelo Paquistão tenha causado uma queda nos preços para USD 92 por barril em junho, a oferta global ainda permanece comprometida.
✨ A produção da OPEP caiu cerca de 10 milhões de barris por dia entre fevereiro e maio, devido a problemas logísticos sérios.
Neste contexto, os Estados Unidos se destacaram ao aumentar suas exportações de petróleo e derivados para 12,8 milhões de barris por dia no segundo trimestre, em parte utilizando seus estoques estratégicos, que estão em níveis historicamente baixos.
Outros países, incluindo Brasil, Cazaquistão e China, também contribuíram com maior produção, mas não foi suficiente para neutralizar as perdas significativas do Golfo Pérsico.
"O mercado encontrou fontes alternativas de suprimento, mas não para compensar completamente os volumes perdidos na região do Golfo. Isso resultou em um equilíbrio global apertado e uma significativa redução das reservas ao redor do mundo
Na Ásia, a crise teve um impacto profundo, com a China registrando a menor quantidade de importação de petróleo em oito anos e a Índia aumentando sua dependência do petróleo russo. A previsão é de que a normalização da oferta global ocorra de maneira lenta, conforme indicam as projeções do Departamento de Energia dos EUA.
Contexto
A produção da OPEP e dos Emirados Árabes Unidos, que estava em 19,4 milhões de barris por dia em maio, deve voltar para cerca de 29 milhões de barris por dia apenas no quarto trimestre, com uma recuperação total esperada apenas em 2027.
Além disso, os desafios operacionais e as limitações logísticas podem atrasar a normalização dos fluxos de petróleo, enquanto a produção dos Estados Unidos poderá também enfrentar restrições devido ao baixo nível de estoques estratégicos e à iminente temporada de furacões.
A guerra entre Rússia e Ucrânia continua a ser uma variável crucial, com ataques a infraestrutura energética afetando os fluxos de petróleo russo.
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