Voltar
economia
3 min de leitura

Reforma tributária traz desafios a empresas em 2026

Dificuldades na adaptação ao novo sistema podem afetar créditos fiscais

Gabriel Rodrigues06 de julho de 2026 às 17:15
Reforma tributária traz desafios a empresas em 2026

Em 2026, a reforma tributária, que terá início efetivo em 2027, impõe desafios significativos às empresas no que diz respeito ao controle de impostos e à maximização dos créditos tributários. Um estudo da V360 revela que 66,2% das notas fiscais eletrônicas (NF-e) analisadas apresentam problemas que podem comprometer o correto aproveitamento desses créditos no novo modelo.

Os créditos tributários permitem o abatimento de tributos pagos ao longo da cadeia produtiva, visando evitar a chamada cobrança em cascata, onde tributa-se o mesmo insumo em diferentes etapas. A reforma tributária fez alterações fundamentais, tornando o regime de créditos mais abrangente ao abolir regimes especiais e cumulativos.

Erros nas notas fiscais

De acordo com o Termômetro do Crédito IBS/CBS, a pesquisa da V360 analisou mais de 6,4 milhões de notas fiscais e concluiu que 64,4% delas apresentavam campos vazios para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Em 1,8% dos documentos, houve divergências nas informações financeiras fornecidas pelos fornecedores.

As notas fiscais devem conter informações precisas para que os créditos possam ser utilizados corretamente, sendo essencial validação em toda a operação.

O IBS e a CBS substituirão gradualmente tributos sobre o consumo, permitindo que as empresas deduzam dos impostos a pagar parte dos tributos recolhidos na aquisição de mercadorias e serviços. Contudo, isso só será possível com informações corretas nas notas fiscais.

Izaias Miguel, co-CEO da V360, ressalta que o real desafio das empresas é receber e validar os documentos fiscais adequadamente. Ele afirma que a atenção deve ser voltada para o controle do ingresso fiscal e que as divergências podem resultar em atrasos e perdas de crédito.

Adaptação à nova regulamentação

O estudo também indica que apenas 35,8% dos 139 mil fornecedores analisados preenchiam corretamente os novos campos referentes ao IBS e CBS. Isto implica que a qualidade das informações fornecidas pelos fornecedores influenciará diretamente a capacidade das empresas em manter seus direitos aos créditos tributários.

Somente 0,04% dos eventos registrados nas Secretarias Estaduais da Fazenda estão relacionados às novas funcionalidades da reforma tributária, evidenciando o estágio inicial de adequação.

Na visão de Izaias Miguel, a reformulação exigirá um maior alinhamento entre diferentes áreas das empresas e um investimento em ferramentas de automação para conferir documentos em larga escala. Ele alerta que um erro que antes gerava retrabalho agora pode impactar diretamente a conformidade fiscal e os créditos tributários.

Miguel enfatiza que é imprescindível revisar como as empresas recebem, conferem e registram documentos fiscais, mudando de uma abordagem reativa para uma preventiva. É fundamental validar os documentos antes e identificar riscos em tempo real, assegurando que os créditos estejam protegidos desde o início do processo.

Embora a reforma afete empresas de todos os tamanhos, as grandes enfrentarão um desafio de complexidade em suas operações, dado o volume de notas e a presença de sistemas de gestão antigos. Por outro lado, micro e pequenas empresas, mesmo com um processo mais simples, se deparam com a dificuldade de acompanhar mudanças e investir na tecnologia necessária para a adaptação.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de economia