Em cenário de juros elevados, preocupa a trajetória da dívida pública e a inadimplência recorde.

As instituições financeiras estão cada vez mais preocupadas com o "risco fiscal", que se refere aos déficits sucessivos nas contas públicas e à trajetória da dívida do governo. Além disso, a alta da inadimplência, que alcançou níveis recorde, preocupa em um cenário de juros elevados. Essas informações foram apresentadas no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do Banco Central, relativo ao primeiro semestre deste ano.
O Banco Central revelou que os riscos identificados refletem a expectativa de desaceleração da atividade econômica, as incertezas sobre a sustentabilidade da dívida pública e o elevado endividamento das famílias e empresas. Em uma pesquisa conduzida pelo BC com instituições financeiras, foram citados como principais riscos os temas "inadimplência", "juros" e "inflação".
Após o segundo turno das eleições presidenciais, que ocorreu no último domingo, o relatório foi divulgado em meio a uma forte turbulência nos mercados financeiros. O índice Ibovespa, que representa a bolsa brasileira, caiu mais de 10% logo no início das negociações, forçando a ativação do circuit breaker, um mecanismo que interrompe temporariamente as transações para evitar desordens.
✨ Diante desse cenário, o dólar também disparou, tendo uma alta de 8,21% e encerrando o dia cotado a R$ 5,40, comparado a R$ 4,99 na sexta-feira anterior.
Os investidores expressam preocupações com as contas públicas, que têm registrado déficits recorrentes, em função do aumento dos gastos do governo e o reconhecimento de dívidas passadas, como os precatórios. Analistas indicam que esses déficits pressionam os juros, elevando o custo da dívida pública. Para enfrentar essa situação, defendem a realização de um ajuste mais rigoroso nas contas governamentais.
Apesar dessas dificuldades, o Banco Central anunciou que não enxerga um "risco relevante" para a estabilidade financeira do país. O BC afirmou que o sistema financeiro nacional continua com níveis de capitalização e liquidez confortáveis, além de provisões adequadas diante das perdas esperadas. O BC também ressaltou que os testes de estresse de capital e liquidez evidenciam a robustez do sistema bancário.
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Jornalista especializado em Economia

Crescimento de 7,8% em relação ao ano anterior

Dados do IBGE mostram 103,5 milhões de pessoas com emprego ativo, mas inadimplência atinge 5% em agosto.

Dólar inicia a semana com pouca variação diante do real, enquanto investidores acompanham indicadores econômicos, expectativas para os juros e o cenário internacional.

O dólar comercial opera próximo de R$ 5,12 nesta quarta-feira (5). Acompanhe a cotação atualizada, entenda os fatores que influenciam o câmbio e veja a análise do mercado.