Estimativas revelam déficit crescente e desafios para o governo

A IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado Federal divulgou, nesta quinta-feira (20), o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de agosto, revelando que a situação fiscal do Brasil seguia 'inalterada', com despesas crescendo mais rapidamente que as receitas. O relatório chega em um momento crítico, a menos de dois meses das eleições presidenciais, transferindo o foco do orçamento para o debate político.
Conforme descrito no relatório nº 115, o déficit primário estrutural alcançou 1,4% do PIB nos últimos quatro trimestres, evidenciando uma deterioração significativa, já que no mesmo período em 2025 a taxa era de 0,7% do PIB. Os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, ressaltaram a necessidade urgente de um ajuste estrutural mais amplo, apesar dos esforços diários da equipe econômica.
✨ O déficit primário estrutural cresceu de 0,7% para 1,4% do PIB em um ano.
Nos primeiros sete meses de 2026, a receita primária líquida teve um aumento real de 6%, em parte devido à alta nos preços do petróleo ligada a conflitos no Oriente Médio. No entanto, o mesmo intervalo registrou um incremento de 6,3% nas despesas reais, desafiando as metas fiscais estabelecidas.
O relatório também explica que o cumprimento da meta fiscal estabelecida na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) dependerá de deduções legais, que somam R$ 62,8 bilhões conforme os cálculos do governo e R$ 69,8 bilhões na estimativa da IFI. Sem essas deduções, a meta de superávit de 0,25% do PIB será inatingível.
Para estabilizar a Dívida Bruta do Governo Geral, a IFI alerta que é necessário um superávit de 2,1% do PIB. A Dívida Bruta deve encerrar o ano em 82,5% do PIB, evidenciando o desafio fiscal do país.
O cenário econômico para 2026 foi revisado, resultando em um crescimento do PIB projetado em 2%, inflação (IPCA) de 5% e uma taxa Selic esperada de 14% ao final do ano.
Um ponto crítico destacado no RAF de agosto é o problemático estoque de restos a pagar, que chega a R$ 105,5 bilhões, muito acima do limite oficial de despesas. Essa situação representa um risco fiscal, especialmente em emendas de bancada e comissões.
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Jornalista especializado em economia

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