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Tesouro emite R$ 229,96 bilhões em títulos públicos em abril

Dívida pública atinge novo recorde com alta na reserva de liquidez

Gabriel Azevedo27 de maio de 2026 às 19:25
Tesouro emite R$ 229,96 bilhões em títulos públicos em abril

O Tesouro Nacional revelou que em abril de 2026 lançou R$ 229,96 bilhões em títulos públicos, estabelecendo um novo recorde histórico. Durante o mesmo período, a reserva de liquidez se elevou para R$ 1,091 trilhão, correspondente a 8,91 meses de cobertura da dívida.

Essas informações foram apresentadas no Relatório Mensal da Dívida Pública Federal, durante uma coletiva virtual com especialistas da Secretaria do Tesouro Nacional. Os resgates totalizaram R$ 146,01 bilhões, resultando em uma emissão líquida de R$ 83,95 bilhões.

Composição e Estoque da Dívida

A emissão de títulos foi principalmente composta por papéis de taxa flutuante, que representaram 56,14% do total, seguidos pelos prefixados com 32,68% e pelos títulos indexados à inflação com 11,16%. O estoque total da Dívida Pública Federal chegou a R$ 8,798 trilhões em abril, apresentando uma elevação de 1,91% em comparação a março.

Tesouro retorna ao mercado europeu após 10 anos, captando R$ 28,87 bilhões.

O Tesouro também fez sua reentrada no mercado europeu, após mais de uma década, captando R$ 28,87 bilhões em títulos em euros, com vencimentos em 4, 7 e 10 anos. Segundo Helano Borges Dias, coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, a demanda superou mais de três vezes o valor disponível.

A dívida externa ao final do mês somou R$ 335,88 bilhões, equivalendo a US$ 67,33 bilhões. A reserva de liquidez cresceu 23,28% em relação a março, saindo de R$ 885,42 bilhões para R$ 1,091 trilhão.

Indicadores da Dívida e Cenário Futuro

O índice de cobertura elevou-se de 5,69 para 8,91 meses. A proporção da dívida com vencimento em até 12 meses diminuiu de 19,52% para 18,99%, dentro do intervalo previsto no Plano Anual de Financiamento, que estabelecia entre 18% e 22%. O prazo médio da dívida também aumentou de 4,10 para 4,12 anos.

De acordo com a análise, o custo médio da dívida acumulado nos últimos 12 meses subiu de 12,20% para 12,22% ao ano, enquanto a dívida interna teve um aumento de 12,86% para 13,01% ao ano. Esse aumento reflete o atual cenário de juros elevados, um aspecto que impacta setores dependentes de crédito, como a agroindústria e cooperativas.

Olhar para maio, o Tesouro antecipou que o ambiente internacional tende a aumentar a aversão ao risco, influenciando a curva de juros no Brasil. Até o momento, as emissões do mês alcançam aproximadamente R$ 144 bilhões, com as condições de mercado dependentes do desenvolvimento do cenário externo e das atualizações sobre a dívida.

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