Especialistas destacam a importância de observar os interesses e a faixa etária da criança na hora da compra

Escolher um brinquedo para uma criança nem sempre é uma tarefa simples. Diante de prateleiras repletas de opções, muitas vezes os adultos se deixam levar pelo que está na moda ou por brinquedos que parecem mais completos. No entanto, observar a criança atentamente pode fornecer dicas valiosas sobre o que ela realmente aprecia.
O que a criança costuma fazer quando tem liberdade para escolher? Ela prefere construir, desenhar, inventar histórias, cuidar de bonecos, correr ou explorar objetos? A psicóloga e psicanalista Cristiane Belmonte destaca que observar esses comportamentos pode iluminar os interesses da criança. 'Preste atenção no que ela faz quando chega numa brinquedoteca ou o que ela pede para repetir', diz.
✨ Os brinquedos escolhidos não precisam ser sofisticados ou caros, mas sim aqueles que alinham-se aos interesses da criança e ampliam suas possibilidades de brincar.
Ela acrescenta que uma criança que passa tempo empilhando blocos, por exemplo, pode estar interessada em construção, enquanto outra que cria histórias com bonecos pode ter um foco maior na narrativa. Além dos comportamentos, personagens de filmes e livros que a criança gosta podem servir como guias na escolha do presente.
Para a psicóloga Anastacia Cristina Macuco Brum Barbosa, os interesses não devem ser só vistos como uma oportunidade de consumo. Os personagens e histórias podem ser instrumentos que ajudam na expressão de sentimentos e na criatividade da criança. 'Um brinquedo relacionado a uma história que ela gosta pode prolongar a brincadeira e permitir novas narrativas', explica.
Além disso, a faixa etária continua a ser um fator importante. A psicóloga ressalta que a indicação de idade dos brinquedos é essencial para garantir segurança e adequação às habilidades que a criança está desenvolvendo. 'O ideal é encontrar um equilíbrio entre o que desperta interesse e o que desafia a criança', afirma.
Brinquedos que permitem a inventividade são destacados por Anastacia, que menciona que itens como blocos de montar e massinha podem ter múltiplas funções. Eles são considerados 'brinquedos abertos', permitindo que a criança seja a protagonista da brincadeira.
Após a escolha do presente, é importante acompanhar a interação da criança com o brinquedo. A duração do interesse e a maneira como ela usa o brinquedo podem indicar se a escolha foi acertada. 'Ela volta espontaneamente para brincar? Cria novas maneiras de utilização? Isso demonstra seu envolvimento', observa Anastacia.
A indústria também se adapta às diferentes fases da infância, conforme explica Germano Brandino, diretor de Marketing da Novabrink. 'Desenvolvemos produtos que acompanham as descobertas das crianças e que ajudam a fortalecer suas relações com as narrativas que fazem parte de seu universo.'
Portanto, ao escolher um presente, olhar atentamente para a criança e seus interesses pode ser mais eficaz do que seguir o que é tendência no momento. À medida que a criança cresce, entender o que a atrai ajuda na escolha de brinquedos que se alinham à sua rotina e à maneira como gostaria de brincar.
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Jornalista especializado em Educação

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