Projeto Voar: A Nova Segregação nas Escolas de São Paulo
Iniciativa polêmica é criticada por especialistas e remete a práticas educacionais ultrapassadas

No começo de fevereiro, o governo de Tarcísio de Freitas começou a implementar o Projeto Voar, em meio à controvérsia sobre os erros de ortografia dos policiais designados para escolas cívico-militares em São Paulo. O projeto, apresentado como uma inovação, foi desenvolvido em colaboração entre a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e o Education Lab for Latin America, vinculado à Harvard. A parceria, intermediada pela Associação Parceiros da Educação, é composta por membros com forte conexão com o setor privado.
Uma Análise Crítica do Projeto Voar
O objetivo do ELLA, segundo seu site, é produzir conhecimento que subsidia reformas educacionais. Contudo, não apresentam evidências concretas sobre seus resultados. O Projeto Voar parece trazer de volta a segregação de alunos, classificado por desempenho em testes padronizados, reminiscente de práticas já superadas.
"A separação por grupos homogêneos tende a reforçar as dificuldades dos alunos com menor desempenho
✨ O Projeto Voar utiliza uma abordagem experimental que divide alunos em grupos de desempenho, algo já amplamente contestado.
Contexto Histórico
A segregação escolar, iniciada com os Testes ABC em 1928, falhou em melhorar a aprendizagem, mas permanece em discussão na política educacional atual.
As classes foram divididas em um grupo experimental, onde a segregação será aplicada, e um grupo controle que não passará por tal mudança. Essa metodologia revela uma repetição de falhas observadas em projetos do passado, como o falido PECSP.
Além disso, a tentativa de motivar os alunos através de um discurso motivacional, ao invés de abordar a verdadeira natureza da segregação, mostra a falta de compreensão das necessidades educacionais dos estudantes.
Assim, o Projeto Voar pode acabar trazendo mais estigmas do que soluções, ferindo a autoestima dos alunos segregados sob o pretexto de apoiar seu aprendizado.
- 1Habilidades sociais prejudicadas
- 2Expectativas baixas dos professores
- 3Reforço dos estigmas existentes
- 4Dificuldades de aprendizagem acentuadas
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Camila Souza Ramos
Jornalista especializado em Educação
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