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Indústria de biodiesel busca quebrar resistência no Brasil

AliançaBiodiesel inicia diálogo para melhorar qualidade do biocombustível

Fernanda Lima08 de abril de 2026 às 05:10
Indústria de biodiesel busca quebrar resistência no Brasil

A indústria de biodiesel no Brasil está mobilizando esforços para superar a resistência histórica presente em setores como o de distribuição de combustíveis e na fabricação de automóveis, que questionam a qualidade do biocombustível nacional e sua combinação com o diesel convencional.

A AliançaBiodiesel, lançada na última quarta-feira (8) pela Associação das Indústrias Brasileiras de Óleos Vegetais (Abiove) e pela Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), pretende abrir um canal de diálogo com esses elos da cadeia para discutir esses desafios.

Embora a Lei do Combustível do Futuro estabeleça uma adição gradual de biodiesel ao diesel que deve chegar a 25%, muitos críticos afirmam que essa mistura pode prejudicar os motores.

Recentemente, a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) revelou que oficinas mecânicas estão reportando um aumento em falhas de bicos injetores e problemas relacionados ao filtro DPF, atribuindo esses incidentes à formação de resíduos e ao crescimento de microorganismos no combustível. Além disso, pequenos e médios distribuidores têm expressado preocupações sobre a falta de infraestrutura necessária para garantir a homogeneidade na mistura do biodiesel.

Jerônimo Goergen, presidente da Aprobio, reafirma que as indústrias estão focadas em melhorar a qualidade do biodiesel e acredita que o próximo relatório do Programa de Monitoramento da Qualidade do Biodiesel (PMQBio), que será divulgado em maio pela ANP, mostrará uma diminuição nas amostras problemáticas.

Conforme o último relatório de setembro de 2025, 27,5% das amostras de biodiesel apresentaram inconformidades, afetando 37% dos produtores e 23,4% dos distribuidores. Goergen salienta que muitos dos problemas atuais estão mais relacionados aos equipamentos e procedimentos do que à matéria-prima utilizada.

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"As indústrias estão se esforçando para melhorar", afirmou Goergen.

André Nassar, presidente da Abiove, reforça que as falhas observadas nos motores não podem ser atribuídas apenas ao biodiesel, mas a condições externas como variações climáticas, tempo de armazenamento e possível presença de água nos tanques.

O PMQBio deve revelar quais produtores estão com problemas em um relatório a ser lançado no segundo semestre deste ano, uma ação que conta com o apoio das associações de biodiesel. Goergen acrescenta que as empresas que não aprimorarem seus processos enfrentarão dificuldades.

As associações já possuem programas de certificação que avaliam a qualidade do biodiesel e agora pretendem integrar essas iniciativas em uma única certificação padrão.

Goergen opina que é essencial que o biodiesel brasileiro obtenha reconhecimento por parte dos consumidores para garantir sua aceitação em mercados internacionais. "Não podemos continuar falando mal de nós mesmos", ressalta.

Além de seu trabalho com o governo, a AliançaBiodiesel buscará explorar novos mercados, incluindo um acordo formal com a Latam para estudar a viabilidade de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF) produzidos a partir do biodiesel.

O setor argumenta que, dado o contexto global, o Brasil deve adotar um 'plano B' para a transição energética e reduzir a dependência do diesel importado.

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"A guerra no Oriente Médio reforça a necessidade de diminuirmos a participação do diesel importado", afirmou Nassar.

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