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Setor elétrico debate riscos e economia em tarifas de energia

Conflito entre renováveis e hidrelétricas pode impactar tarifas.

João Pereira20 de abril de 2026 às 07:10
Setor elétrico debate riscos e economia em tarifas de energia

Uma disputa milionária envolvendo as tarifas de energia está em andamento, com diferentes agentes do setor elétrico divididos sobre as diretrizes propostas pela Consulta Externa 001/2026 do ONS. As decisões a serem tomadas nos próximos 30 dias poderão impactar profundamente o funcionamento das hidrelétricas e a operação das usinas térmicas.

Pontos de vista conflitantes

Por um lado, empresas de energia renovável e comercializadoras, apoiadas por entidades representativas de consumidores, solicitam a flexibilização dos parâmetros operacionais. Elas estimam que, com a mudança, seria possível economizar até R$ 6,6 bilhões anualmente e reduziriam as contas de luz em 1,12%, mantendo a segurança do sistema. Em contrapartida, geradoras, principalmente as hidrelétricas, alertam para os perigos dessa abordagem, que poderia aumentar os riscos associados a eventuais faltas de energia.

A proposta central discute o CVaR, o parâmetro que mede a conservatividade na gestão dos recursos hídricos em reservatórios.

Atualmente, um modelo conservador protege os reservatórios, porém exige um consumo maior de energia térmica, encarecendo o preço. Alternativamente, um modelo mais flexível favoreceria a utilização de água, que é uma fonte de energia mais econômica em termos de curto prazo. Entidades como a Abrace, Abraceel e Abeeólica sustentam que o nível atual de aversão ao risco é excessivo, levando a cortes na geração de energias renováveis em momentos de alta demanda.

Contexto da discussão

As gerações de energia elétrica enfrentam um dilema entre operar com um modelo seguro, porém custoso, ou adotar estratégias mais flexíveis que redução nos preços mas trazem riscos associados.

A empresa Serena, envolvida na comercialização de energia, afirma que uma abordagem mais flexível poderia reduzir a perda na capacidade de armazenamento. Com ajustes, projetam uma queda de 2,6 pontos percentuais no volume dos reservatórios em um mês crucial, com potenciais economias de R$ 5,4 bilhões e uma diminuição de 0,98% nas tarifas. "O setor tem a chance de reduzir custos sem comprometer o abastecimento", argumenta Bernardo Bezerra, diretor da Serena.

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Cautela em demasia não é sinônimo de prevenção. Quando mantida em um patamar desnecessariamente elevado, isso pode se tornar ineficiência ou irresponsabilidade.”

Luiz Eduardo Barata

Por outro lado, a Abrage defende a continuidade dos parâmetros atuais, enfatizando que experiências passadas de flexibilização, como a de 2020, geraram custos enormes aos consumidores devido a crises hídricas. Marisete Pereira, presidente da entidade, ressalta que a situação atual, próximo a níveis críticos de armazenamento, exige prudência.

A decisão final sobre os novos parâmetros de operação caberá ao CMSE, que deve se manifestar até 20 de maio.

O ONS, responsável pela operação do sistema elétrico, declarou que a avaliação sobre a alteração dos níveis de aversão ao risco é de competência exclusiva do CMSE, cujo papel é analisar a segurança e viabilidade técnica das operações do setor sob diferentes cenários.

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