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economia
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Privatização da Eletrobras completa quatro anos e tarifas aumentam

Mudanças trazem lucros para a Axia Energia, mas custos para consumidores

Tiago Abech14 de junho de 2026 às 06:05
Privatização da Eletrobras completa quatro anos e tarifas aumentam

A privatização da Eletrobras, que ocorreu no final do governo Jair Bolsonaro, completa quatro anos, mas traz consequências complicadas para os consumidores. Enquanto a nova empresa Axia Energia se beneficia com altos lucros e aumentos salariais para seus dirigentes, a população enfrenta tarifas de energia cada vez mais elevadas.

Investimentos prometidos não se concretizam

O plano de privatização foi iniciado com a venda de ações da Eletrobras e uma legislação que impediu o governo de aumentar sua participação. Com uma cerimônia que ocorreu em 14 de junho de 2022, as esperanças eram de que o setor privado investisse 14 bilhões de reais por ano; no entanto, em quatro anos, o total investido foi inferior a 10 bilhões.

Na verdade, as tarifas de energia se tornaram estruturalmente mais caras.

Os lucros da Axia e os altos salários dos diretores e conselheiros contrastam com a situação do país, lembrando as promessas vazias de emprego da reforma trabalhista de 2017. Enquanto isso, os salários para a alta administração da Axia aumentaram significativamente, com cada um dos 11 diretores recebendo uma média de 558 mil reais por mês.

A luta pelo controle da empresa

Ao reassumir a presidência em 2023, Lula criticou os altos salários dos líderes da Axia e moveu uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para restaurar o poder de voto do governo. Atualmente, a participação governamental de 40% nos papéis da companhia limita os votos a 10%, o que representa um dilema de governança.

Além disso, um dispositivo denominado 'poison pill' dificulta a reestatização ao encarecer a compra das ações.

Um recente acordo no STF não alterou essa realidade, e o governo apenas conseguiu mais um membro para os conselhos da empresa. A recompensa dada aos conselheiros em ações e a recompra de ações pela Axia limitam os recursos disponíveis para novos investimentos.

Impacto nas tarifas de energia

As tarifas de energia continuam a crescer, com análises recentes sugerindo um aumento médio de 7,5% nos próximos seis anos. A perda de controle sobre a Eletrobras impede que o governo utilize essa importante empresa como uma ferramenta para influenciar o mercado energético e regular os preços.

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Muitas empresas priorizam o aumento do valor das ações em detrimento de um investimento real na produção a longo prazo

Mariana Mazzucato

Contexto adicional

A Axia Energia, surgida da privatização da Eletrobras, busca agora se distanciar de sua antecedente estatal, embora os resultados financeiros e as tarifas de energia para a população mostrem um cenário desafiador.

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