Presidente Javier Milei afirma que ação é contra exploração ilegal de recursos no projeto Sea Lion.

A Argentina anunciou nesta segunda-feira, 28, que dará início a uma arbitragem internacional contra o Reino Unido devido a um projeto de exploração petrolífera nas proximidades das ilhas Malvinas, território reivindicado por Buenos Aires.
O presidente Javier Milei afirmou em uma publicação no X que pediu à Chancelaria e às equipes jurídicas que comecem o processo contra o que considera um saque ilegal de recursos naturais, referindo-se ao projeto Sea Lion, da Rockhopper, uma empresa britânica, em parceria com a israelense Navitas. A expectativa é que a extração de petróleo inicie em 2028 em águas próximas às ilhas, que são administradas pelo Reino Unido.
✨ Milei alertou que, caso o Reino Unido não interrompa a exploração dentro de duas semanas, recorrerá ao Tribunal Internacional do Direito do Mar.
A decisão vem em um contexto de longo conflito entre Argentina e Reino Unido pela soberania das Malvinas. O presidente argentino destacou que a questão é central para a identidade nacional argentina, lembrando a guerra de 1982, onde seu país perdeu para o Reino Unido ao tentar retomar as ilhas.
Recentemente, Milei intensificou a reivindicação de soberania por meio de ações diplomáticas, em parte impulsionado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não descarta mudar a posição de neutralidade dos EUA na disputa. Além disso, foi enviado um projeto de lei ao Congresso argentino que endurece as sanções sobre a exploração de recursos nas ilhas, e anunciou a construção de uma base militar na Terra do Fogo.
Uma juíza argentina decidiu na domingo passado pela suspensão do projeto petrolífero, em resposta a um pedido de ex-combatentes e advogados ambientalistas. Londres, por sua vez, reafirmou o direito dos moradores das ilhas de explorar os recursos naturais e manifestou apoio às empresas envolvidas, reforçando que não reconhece a jurisdição argentina sobre o território, dominado por britânicos desde 1833.
A ONU já reconheceu há décadas uma disputa de soberania entre os dois países e recomenda que as partes evitem decisões unilaterais, uma diretriz que, segundo Buenos Aires, não está sendo obedecida pelos britânicos.
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Jornalista especializado em Internacional

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