Bank of America concorda em pagar US$ 72,5 milhões por ações ligadas a Jeffrey Epstein
O acordo visa encerrar processo civil que acusa o banco de facilitar abusos sexuais.

O Bank of America decidiu desembolsar US$ 72,5 milhões (aproximadamente R$ 381 milhões) para finalizar um litígio civil relacionado a mulheres que acusam a instituição financeira de ajudar nos abusos sexuais perpetrados por Jeffrey Epstein. A informação foi divulgada na última sexta-feira (27) por meio de registros judiciais.
Os advogados do banco e das reclamantes informaram ao juiz Jed Rakoff, atuando em Manhattan, sobre um "acordo preliminar" alcançado este mês, embora os detalhes ainda não tenham sido revelados.
Aguardando aprovação judicial
Antes de ser considerado final, o acordo aguarda a aprovação do juiz Rakoff, que estabeleceu uma audiência para a próxima quinta-feira, onde analisará a proposta.
A ação coletiva, iniciada em outubro por uma mulher identificada como Jane Doe, alega que o Bank of America, o segundo maior banco dos EUA, deixou de averiguar transações suspeitas vinculadas a Epstein, mesmo diante de informações sobre seus crimes, priorizando os lucros em detrimento da segurança das vítimas.
"A acusação é fundamentada em práticas financeiras comuns, realizadas com clientes que, na época, não estavam ligadas a Epstein, e esse envolvimento mais profundo é classificado como 'frágil e infundado' pela instituição.
Em janeiro, o juiz Rakoff determinou que o banco deveria enfrentar os argumentos de que teria se beneficiado, intencionalmente, do esquema de exploração sexual de Epstein e dificultado a implementação de leis federais voltadas à proteção das vítimas.
✨ Entre as transações questionadas estão pagamentos feitos a Epstein pelo bilionário Leon Black, cofundador da Apollo Global Management.
Em 2021, Black renunciou ao cargo de CEO da Apollo após uma investigação que revelou que ele pagou US$ 158 milhões a Epstein por assessoria em planejamento tributário. Black nega qualquer tipo de conduta errada e afirma ter desconhecimento sobre os crimes do financista.
Os representantes legais de Jane Doe também processaram outros participantes considerados facilitadores de Epstein, obtendo acordos de US$ 290 milhões com o JPMorgan Chase e US$ 75 milhões com o Deutsche Bank em 2023. Eles buscam um recurso contra a decisão de Rakoff que negou uma ação similar contra o Bank of New York Mellon.
Vale lembrar que Epstein faleceu em agosto de 2019, em sua cela em Manhattan, onde aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual, com a morte sendo considerada suicídio pelos legistas da cidade.
Contexto
Recentemente, vítimas de Epstein também processaram o governo dos EUA e a empresa de tecnologia Google.
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Carlos Silva
Jornalista especializado em Justiça
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