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Justiça
3 min de leitura

Desemprego entre LGBTQIA+ no Brasil atinge 15,2%, revela estudo

Estudo do Banco Mundial evidencia desigualdades no mercado de trabalho

Gabriel Azevedo27 de maio de 2026 às 01:00
Desemprego entre LGBTQIA+ no Brasil atinge 15,2%, revela estudo

De acordo com um novo estudo do Banco Mundial, a comunidade LGBTQIA+ no Brasil enfrenta taxas alarmantes de desemprego, informalidade e inatividade, destacando a exclusão econômica que esse grupo sofre em comparação com a população geral.

Taxa de desemprego entre LGBTQIA+ chega a 15,2%, superando a média de 7,7% da população geral.

Conforme a pesquisa, enquanto a taxa de inatividade é de 37,4% para a população LGBTQIA+, é de 33,4% para os demais brasileiros. Ademais, 46% dos indivíduos LGBTQIA+ estão empregados de forma informal, em contraste com 40% da população em geral.

Contexto Econômico

A exclusão da comunidade LGBTQIA+ do mercado de trabalho resulta em uma perda econômica de R$ 94,4 bilhões anualmente, correspondendo a 0,8% do PIB brasileiro.

Ricardo Sales, presidente do Instituto Mais Diversidade, comenta que a pesquisa ressalta a importância da inclusão econômica para todos os brasileiros, enfatizando que o preconceito afeta a sociedade como um todo.

Os pesquisadores realizaram entrevistas com 11.231 pessoas em múltiplas regiões do Brasil ao longo de três meses, revelando que 7 em cada 10 profissionais LGBTQIA+ hesitam em se candidatar a empregos devido a preocupações com sua segurança psicológica.

Desafios no Processo Seletivo

Isabela, uma administradora que optou por usar um nome fictício, relata suas dificuldades no ambiente de trabalho. Apesar de ter um histórico profissional sólido, incluindo 12 anos em um grande banco, ela está desempregada há dois anos devido a preconceitos enfrentados durante entrevistas.

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Em uma entrevista, fui informada de que a empresa não estava preparada para receber alguém como eu – Isabela

A discriminação durante recrutamentos é frequentemente ligada à aparência e à conformidade com normas de gênero tradicionais. Para evitar preconceitos, Isabela se omite ao indicar sua identidade de gênero quando não é obrigatória.

Informalidade como Alternativa

A informalidade se apresenta como uma saída, com 46% da população LGBTQIA+ aderindo a essa modalidade, em comparação com 40% da população geral. Além disso, 30% dos LGBTQIA+ trabalham de forma autônoma.

A discriminação baseada na identidade de gênero ou sexualidade gera não apenas um impacto individual, mas afeta toda a economia do país.

De acordo com Lucas Bulgarelli, do Instituto Matizes, a abordagem econômica para medir a discriminação ajuda a esclarecer que as violências sofridas pela população LGBTQIA+ têm repercussões amplas, conectando-se ao bem-estar econômico do Brasil.

Ambiente de Trabalho Hostil

O estudo também revela que muitas pessoas LGBTQIA+ enfrentam discriminação no trabalho, incluindo desafios relacionados à sua competência profissional e a necessidade de ocultamento de suas identidades.

Cerca de 72,7% dos entrevistados relataram ter enfrentado preconceito no ambiente de trabalho, e 64% indicaram que vivenciam discriminação de forma recorrente, refletindo em suas performances.

  • 1Demissões injustificadas e assédio
  • 2Pressões para conformidade com normas de gênero
  • 3Ocultação da identidade e perguntas invasivas

Essas dinâmicas geram estresse e impacto psicosocial, resultando em exaustão e burnout, atribuídos à constante vigilância sobre suas identidades e competências.

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