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Justiça
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Mortes violentas: 79,7% das vítimas são negras em 2025

Novo relatório destaca desigualdade racial alarmante nas estatísticas de violência no Brasil.

Gabriel Rodrigues23 de julho de 2026 às 08:05
Mortes violentas: 79,7% das vítimas são negras em 2025

Em 2025, 79,7% das vítimas de mortes violentas intencionais no Brasil eram pessoas negras, conforme dados publicados no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Este percentual é mais de 24 pontos percentuais superior ao que corresponde a essa população na totalidade do país.

A pesquisa revelou que, segundo o Censo 2022 do IBGE, pretos e pardos compõem 55,5% da população brasileira. Em termos absolutos, o Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, resultando em uma taxa de 19,1 por 100 mil habitantes, o que representa uma queda de 8,2% em comparação com 2024 e de 31% em relação a 2012.

Desigualdade racial nas estatísticas de crime

O relatório enfatiza a forte discrepância racial nas taxas de homicídios dolosos, onde os negros responderam por 79,9% das vítimas. A maior disparidade se evidenciou nas mortes resultantes de intervenção policial, com 82% das pessoas falecidas sendo negras.

Em 2025, a letalidade policial entre negros foi 3,5 vezes maior do que entre brancos, com taxas de 3,5 e 1,0 por 100 mil habitantes, respectivamente.

Além disso, jovens entre 18 e 29 anos foram a maior parte das vítimas (41,6%) das mortes violentas, e essa desigualdade se intensifica entre crianças e adolescentes. As mulheres negras representaram 65,1% das vítimas de feminicídios e 74,6% das demais mortes violentas intencionais.

A análise do sistema prisional também revela uma preocupação: 69,6% da população carcerária era composta por negros em 2025, o maior percentual registrado desde 2005.

Aumento nos registros de racismo

Os boletins de ocorrência relacionados ao racismo apresentaram um crescimento significativo em 2025, com 30.743 casos registrados, representando uma alta de 13% em relação ao ano anterior. Isso evidencia uma crescente percepção e relato de crimes raciais.

O Anuário sublinha que este panorama de desigualdade racial é uma questão de saúde pública e exige atenção contínua e políticas eficazes para mudança.

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