Fenômeno que ocorre entre junho de 2026 e fevereiro de 2027 pode provocar secas e chuvas intensas

O Brasil será o país mais afetado da América do Sul pelo Super El Niño, segundo um relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago. O fenômeno, que começou em junho de 2026, deve durar até fevereiro de 2027, e eleva o alerta para secas, chuvas intensas e outros eventos climáticos extremos que podem impactar atividades econômicas, incluindo o agronegócio.
O estudo enfatiza que os efeitos do Super El Niño não serão uniformes em todo o território brasileiro. Enquanto algumas regiões enfrentam períodos de seca, outras poderão ser atingidas por chuvas excessivas e inundações. Alexandre Farias, consultor em sustentabilidade da Sustentalli, destaca que essa diversidade de efeitos exige uma avaliação dos riscos por parte das empresas, de acordo com suas localizações e tipos de atividade.
"Existem regiões que vão sofrer mais com as consequências da seca e outras que enfrentarão inundações. O aquecimento do oceano causa esse descompasso, e cada empresa precisa lidar com as realidades particulares conforme suas localizações e adaptações urbanas", afirma Farias.
✨ O relatório projeta que o aquecimento relacionado ao Super El Niño pode resultar em 451 mil mortes ao longo de nove meses, sendo mais de 13 mil no Brasil.
No setor agrícola, a preocupação gira em torno dos possíveis impactos na produção de alimentos. De acordo com Farias, a seca ou chuvas em excesso podem levar a perdas na produtividade, tornando essencial a análise das vulnerabilidades climáticas para as empresas do agronegócio. Além disso, as atividades dependentes de energia hídrica também podem enfrentar desafios operacionais em cenários de seca.
"Cada empresa terá que avaliar os riscos e implementar medidas alinhadas com políticas de mudança climática, buscando maior eficiência nas ações de adaptação"," diz Farias.
Além dos impactos econômicos e produtivos, o relatório indica que o fenômeno poderá agravar a saúde pública. A adaptação às mudanças climáticas, segundo Farias, ainda não recebe a atenção necessária em comparação com as ações de redução de emissões. "No Brasil, falta uma cultura de prevenção de eventos climáticos; o foco está na mitigação das emissões, enquanto a adaptação é frequentemente negligenciada. Essa responsabilidade não deve ser exclusivamente do governo, mas deve envolver também as empresas", argumenta.
Farias conclui que preparar-se para as mudanças climáticas envolve não apenas identificar exposições, mas também analisar riscos e criar planos de contingência. No agronegócio, essa avaliação é crucial devido à possibilidade de alternância entre períodos de seca e excesso de chuva em diferentes regiões. A recomendação é integrar essa análise no planejamento estratégico das organizações para mitigar perdas e manter a continuidade operacional em condições climáticas adversas.
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Jornalista especializado em Meio Ambiente

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