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Brasil pode perder R$ 47 bilhões com petróleo na Foz do Amazonas

Estudo da WWF-Brasil alerta para riscos financeiros em energias fósseis

Gabriel Rodrigues23 de abril de 2026 às 18:10
Brasil pode perder R$ 47 bilhões com petróleo na Foz do Amazonas

O Brasil pode deixar de arrecadar R$ 47 bilhões ao optar pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas, em vez de investir em energias renováveis e biocombustíveis, de acordo com um estudo revelado pela WWF-Brasil.

O estudo aponta que R$ 22,2 bilhões estão relacionados ao investimento em combustíveis fósseis na Margem Equatorial, enquanto R$ 24,8 bilhões correspondem a ganhos perdidos devido à falta de investimentos em eletrificação.

Análise de Custo-Benefício

Para entender as consequências dessa escolha, a pesquisa fez uso da Análise Socioeconômica de Custo-Benefício, recomendada pelo Tribunal de Contas da União para avaliar grandes investimentos públicos. Daniel Thá, consultor da WWF-Brasil, destacou que essa metodologia considera o retorno para toda a sociedade, e não apenas para investidores ou o governo.

O estudo projeta um horizonte de 40 anos para a exploração da Foz do Amazonas, com uma década inicial para o desenvolvimento da produção, e inclui a estimativa de extração de 900 milhões de barris, com uma produção diária prevista de 120 mil barris.

Apesar da possibilidade de lucro para as empresas a partir de um preço de US$ 39 por barril, a rentabilidade depende de um cenário com mínima ação climática.

A análise também levou em conta os custos sociais resultantes das emissões de gases do efeito estufa, reconhecendo que cerca de 446 milhões de toneladas de CO2 equivalente seriam emitidas, majoritariamente durante o consumo dos combustíveis.

O custo social dessas emissões é estimado entre R$ 21 bilhões e R$ 42 bilhões. Quando essas externalidades são incluídas, o saldo líquido da exploração na região se torna negativo em R$ 22,2 bilhões ao longo de quatro décadas.

Comparativo com Energias Renováveis

O estudo compara a exploração de petróleo com alternativas energéticas que ofereceriam o mesmo volume de energia, projetado em 48,63 TWh anuais. Nos cenários de eletrificação, utilizando fontes como eólica e solar, os benefícios financeiros para a sociedade seriam consideráveis, chegando a quase R$ 25 bilhões.

Em contrapartida, o cenário de biocombustíveis que substitui combustíveis fósseis por etanol e biodiesel teria um custo total R$ 29,3 bilhões inferior ao da rota do petróleo, apesar dos custos diretos serem maiores.

A Margem Equatorial, que inclui a bacia da Foz do Amazonas, é considerada uma nova oportunidade de exploração no país, com um potencial estimado de 30 bilhões de barris. Essa área, que abriga ecossistemas sensíveis, é vista como essencial para a futura produção de petróleo após o pré-sal.

A Petrobras justifica a exploração na região como uma medida para evitar a futura dependência de petróleo importado, enquanto o governo federal acredita que os recursos advindos de combustíveis fósseis podem financiar a transição energética.

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