Atividades humanas e mudanças climáticas ameaçam este ecossistema único

O Mar Morto, um dos ecossistemas mais singulares do mundo, está encolhendo drasticamente devido a atividades humanas e mudanças climáticas, com um recuo aproximado de 1,2 metros por ano.
Durante um passeio de barco no Mar Morto, o capitão Jake Ben Zaken observou formações de sal impressionantes, mas também apontou para áreas escuras que indicam o colapso ambiental. 'Ambos são sinais de um desastre ecológico em curso', disse ele.
✨ O Mar Morto já perdeu um terço de sua área nas últimas cinco décadas.
A desidratação do Mar Morto é provocada pela redução do fluxo do Rio Jordão, principal fonte d'água, devido a barragens e desvios criados por Israel, Síria e Jordânia. Antes, o rio transportava 1,3 bilhão de metros cúbicos anuais para o Mar Morto, agora esse número caiu para cerca de 100 milhões.
Além disso, a extração mineral também contribui para a deterioração do corpo hídrico. A divisão do Mar Morto em duas bacias, uma natural e outra artificial, tem permitido que empresas extraiam minerais, deixando a água ainda mais escassa.
As mudanças climáticas intensificam a seca e reduzem a frequência das chuvas, o que amplifica o recuo das águas. O aumento da salinidade também é um efeito direto do encolhimento do Mar Morto, levando à formação de cristais de sal e alterando a paisagem de forma alarmante.
Além da beleza das novas formações de sal, o recuo das águas gera riscos, como o surgimento de crateras que já forçaram o fechamento de pontos turísticos em Ein Gedi. Essas dolinas surgem quando a água fresca se infiltra e dissolve o sal subterrâneo, causando colapsos no solo.
✨ Existem mais de 6.000 dolinas ao redor do Mar Morto.
A solução para evitar a seca extrema do Mar Morto não é simples. Projetos como o bombeamento de água do Mar Vermelho foram sugeridos, mas encontram resistência devido aos altos custos e desafios políticos. Além disso, restaurar o fluxo do Rio Jordão é uma alternativa, embora também enfrente dificuldades práticas.
Especialistas pedem que a responsabilidade na indústria de extração mineral seja revisto, buscando um equilíbrio entre a produtividade econômica e a preservação do ecossistema único que o Mar Morto representa.
"'Se há pessoas lucrando com a água do Mar Morto, elas deveriam pegar parte desse dinheiro e devolvê-lo à água para garantir que tenhamos o Mar Morto para sempre.'
No entanto, a falta de urgência política e a crescente degradação geram incertezas para moradores e empresários na região, que vivem na esperança de que medidas efetivas sejam tomadas a tempo.
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Jornalista especializado em Meio Ambiente

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