Estado lidera incêndios em meio à estiagem e temperaturas elevadas

Mato Grosso emergiu como o estado brasileiro com maior ocorrência de focos de calor, contabilizando 809 incêndios desde o início de agosto, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O Pará segue na segunda posição com 580 casos.
Até o dia 11 de outubro, Mato Grosso tinha 227 focos ativos, concentrados principalmente nas áreas de Paranatinga, a 376 quilômetros de Cuiabá, e Nova Santa Helena, que está a 600 quilômetros da capital. Estas regiões estão entre as mais afetadas, apresentando incêndios de longa duração e extensa área queimada.
✨ Em Nova Santa Helena, um único incêndio já consumiu quase 15 mil hectares, tornando-se o segundo maior em área no Brasil, perdendo apenas para um caso em Lagoa da Confusão, Tocantins.
O combate às chamas na região é coordenado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), que está utilizando aeronaves desde o dia 6 de outubro para controlar a situação. O impacto do incêndio tem gerado fumaça que se espalha para cidades vizinhas como Cláudia e Sinop.
Além da crise em Nova Santa Helena, o município de Barra do Garças também enfrenta um incêndio significativo, cobrindo uma área superior a 13 mil hectares há quatro dias. Em Paranatinga, o incêndio já dura 44 dias, com uma extensão menor, mas igualmente preocupante.
Com a aproximação do final do período chuvoso, Mato Grosso entra na fase mais crítica da estiagem, durante a qual a umidade relativa do ar caiu para menos de 30%.
O coronel da reserva do CBMMT, Aluisio Metelo, explica que as causas do aumento das queimadas são a combinação da estiagem severa com as altas temperaturas, que tornam a vegetação altamente inflamável. 'A combinação de calor, vento e seca aumenta muito a propagação do fogo,' afirma.
Dados do INPE indicam que as áreas mais atingidas, como o Cerrado, têm características que favorecem as queimadas, mas a ação humana é um fator predominante. Metelo alerta que até 90% das ignições são associadas a atividades humanas, como queimadas descontroladas e ações criminosas.
"“A influência humana é determinante. A responsabilidade por um incêndio não deve ser presumida somente pelo local; investigar a causa é essencial,” conclui Aluisio Metelo.
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