Mudanças climáticas intensificam ondas de calor na Europa
Estudo aponta aumento na probabilidade de calor extremo devido à atividade humana

Pesquisadores de diversas instituições chegaram à conclusão de que a recente onda de calor na Europa é resultado direto das mudanças climáticas provocadas pela atividade humana. As altas temperaturas observadas na atualidade seriam 'praticamente impossíveis' se comparadas ao ano de 1976, um período também marcado por calor intenso.
Os especialistas calcularam que uma onda de calor similar teria sido 3,5°C mais amena durante o dia e 2,4°C mais fria à noite em 1976. Theodore Keeping, do Imperial College London e principal autor do estudo, explicou que, nos últimos 50 anos, o planeta aquecer 1,1°C impactou significativamente a frequência desses fenômenos.
✨ A probabilidade de calor extremo aumentou consideravelmente devido às mudanças climáticas.
A Europa Ocidental enfrenta calor extremo há mais de uma semana, causado por um fenômeno meteorológico denominado ‘bloqueio ômega’. Nele, uma área de alta pressão permanece estacionária, isolando sistemas de pressão e retendo o ar quente na região.
Estudos demonstram que esses bloqueios podem durar entre três e até dez dias, mas em algumas situações se estendem por semanas. Atualmente, uma massa de ar quente da África está comprimida sobre a Europa, resultando em temperaturas alarmantes.
"Esse fenômeno meteorológico não é incomum, mas as temperaturas extremas são, devido às mudanças climáticas decorrentes da ação humana
De acordo com os pesquisadores, a responsabilidade pelo aquecimento está vinculada ao uso de combustíveis fósseis e ao desmatamento. Por meio de comparações com dados históricos de 2003 e 1976, foi possível validar a metodologia utilizada, ainda que o estudo permaneça em caráter preliminar.
Impacto do calor extremo
O estudo revela que noites excepcionalmente quentes estão 100 vezes mais prováveis atualmente do que em 2003, enquanto os picos de calor diurno são 10 vezes mais prováveis.
Os autores também enfatizam que o fenômeno El Niño não teve influência nesta onda de calor, e ressaltam a importância do estresse térmico, que ocorre quando os corpos humanos não conseguem se resfriar adequadamente. Quase 45% das 854 cidades analisadas na Europa já estão enfrentando recordes históricos de estresse térmico.
✨ O estresse térmico ocorre principalmente quando as noites permanecem muito quentes, dificultando o resfriamento do corpo.
O índice utilizado para avaliação é o WBGT, que considera diversos fatores, incluindo umidade e radiação solar, honestamente um importante indicador para riscos de calor extremo em atividades diárias e esportivas.
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