Mudanças nas emissões de CO₂ revelam avanços desiguais entre países
Comparativo entre principais poluidores apresenta resultados divergentes

Uma análise das emissões de CO₂ ao redor do mundo indica que os avanços na redução dos gases do efeito estufa foram desiguais, com progressos significativos em algumas nações enquanto outras, em processo de industrialização acelerada, experimentaram um aumento substancial. A afirmação é de Gustavo Spadotti A. Castro, da Embrapa Territorial.
✨ Entre 2014 e 2024, o Reino Unido, a Alemanha e o Japão destacam-se com cortes significativos nas emissões.
Os dados obtidos do Our World in Data e do Global Carbon Budget revelam que o Reino Unido reduziu suas emissões em 28,7%, passando de 439 milhões para 313 milhões de toneladas. A Alemanha registrou uma diminuição de 27,8%, caindo de 793 milhões para 572 milhões de toneladas, enquanto o Japão reduziu em 23,7%, de 1,3 bilhão para 962 milhões de toneladas.
Em contrapartida, um crescimento notável nas emissões foi observado na China e na Índia. A China, por exemplo, aumentou suas emissões de 10 bilhões para 12,3 bilhões de toneladas, um crescimento de 23,2%. Já a Índia viu suas emissões aumentarem em 48,7%, subindo de 2,1 bilhões para 3,2 bilhões.
Juntas, essas duas nações contribuíram com mais de 3,4 bilhões de toneladas anuais de CO₂, superando as emissões combinadas do Reino Unido, Alemanha, Itália e Japão.
Outros países asiáticos, como Vietnã e Indonésia, também apresentaram aumento significativo. O Vietnã, por exemplo, teve um crescimento de 106%, enquanto a Indonésia cresceu 63,1%. A Turquia, por sua vez, viu um avanço de 39,7%.
O Brasil, por sua vez, conseguiu reduzir suas emissões em 13,2%, passando de 557 milhões para 483 milhões de toneladas. Este desempenho é contrastante com a pressão internacional sobre o país relativa ao uso da terra e à competitividade agrícola.
"Políticas climáticas desconectadas da origem principal do problema podem prejudicar a competitividade econômica sem oferecer soluções adequadas para o desafio ambiental
Spadotti argumenta que a eficácia das discussões sobre mudanças climáticas é comprometida quando as exigências se concentram em países que já demonstraram progresso em reduzir emissões, enquanto os maiores desafios estão concentrados em outras regiões.
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