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Meio Ambiente
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Pará é o líder nacional em conflitos por água e assassinatos no campo

CPT aponta aumento da violência e desafios para comunidades locais

Giovani Ferreira05 de maio de 2026 às 14:35
Pará é o líder nacional em conflitos por água e assassinatos no campo

Em 2025, o Pará se destacou como o estado com mais conflitos hídricos no Brasil, com 21 casos registrados, conforme apontado pelo relatório 'Conflitos no Campo Brasil 2025' da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Este cenário reflete uma preocupante dualidade: enquanto os conflitos totais diminuíram, a violência, especialmente os assassinatos no campo, aumentou.

O número de assassinatos no campo no Brasil dobrou, alcançando 26 vítimas em 2025.

Ainda que a quantidade de conflitos tenha caído em 29% em comparação ao ano anterior, a gravidade das situações enfrentadas pelos envolvidos se intensificou. A CPT trouxe à tona que as disputas por água estão frequentemente envolvidas em um contexto mais amplo de disputa por terra e território, exacerbadas pela intensificação de atividades como o agronegócio e a mineração.

Causas e Consequências

Francisco Alan, agente da CPT no Pará, ressalta que a água emergiu como um ponto central de tensão, especialmente em áreas afetadas pela contaminação e pela falta de consulta às comunidades. A Amazônia, vista como uma área para a expansão da fronteira agrícola, enfrenta desafios como grilagem e invasões que prejudicam as populações tradicionais.

Apesar da redução de 54% no desmatamento, o Pará permanece como o epicentro de conflitos na Amazônia Legal.

O aumento da violência no campo é atribuído, em grande parte, a atividades econômicas em áreas como a Amazônia e o Cerrado, onde a exploração de recursos naturais é intensificada. Nesse contexto, defensores de direitos humanos e lideranças comunitárias enfrentam grandes riscos, com a impunidade e a falta de políticas de proteção contribuindo para a perpetuação desse ciclo de violência.

Impactos nas Comunidades

O relatório da CPT destaca que as comunidades locais, especialmente aquelas que dependem da terra e da água para sua subsistência, estão enfrentando severas perdas e degradação ambiental. Situações como as vivenciadas pelas comunidades da Volta Grande do Xingu, afetadas pela Usina de Belo Monte, evidenciam como grandes projetos podem intensificar conflitos sociais e ambientais.

O Pará lidera também o número de manifestações sociais no Brasil, refletindo a luta por justiça climática e direitos territoriais.

A realização da COP30 estimulou diversas mobilizações que visam visibilizar violações e garantir o fortalecimento das comunidades afetadas. Essas ações se tornam fundamentais para a organização social e para a pressão sobre o poder público, buscando mudanças nas práticas que afetam negativamente as populações locais.

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