Igreja Universal condenada a devolver doações e indenizar fiel
Decisão da juíza Daniela Murata destaca coação moral

A Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada pela juíza Daniela Murata do Tribunal de Justiça de São Paulo a restituir R$ 33 mil doados por uma mulher com autismo e a pagar R$ 8 mil em indenização por danos morais.
A decisão, proferida pela 1ª Vara Cível da capital, é passível de recurso e ocorreu na última semana. O processo teve início em 2022, após uma idosa de 60 anos relatar que enfrentava problemas familiares e foi incentivada pelos pastores da IURD a 'sacrificar' suas economias para encontrar uma solução para seus problemas.
✨ A juíza afirmou que a pressão psicológica sobre pessoas vulneráveis configura coação moral.
Segundo a idosa, essa prática foi justificada pelos líderes religiosos como uma forma de inibir uma 'ação demoníaca' que afetava suas relações. A defesa da mulher alegou que a igreja utiliza discursos ameaçadores para obter doações, aproveitando-se da fragilidade de seus fiéis.
Um laudo médico anexado ao processo revelou que a mulher possui um 'déficit significativo e persistente da comunicação e interação social', o que reforçou a argumentação dos advogados de que a igreja se beneficiou da condição psicológica da cliente.
A defesa da IURD, por sua vez, negou qualquer ato ilícito, afirmando que as doações foram feitas de forma espontânea. Em um vídeo, o fundador da igreja, bispo Edir Macedo, declarou que 'ninguém é obrigado a dar', insinuando que as doações decorrem de motivações pessoais e espirituais.
No entanto, a juíza Murata contestou este posicionamento, afirmando que a sugestão de um dano espiritual, feita em um momento de desespero, pode ser interpretada como uma ameaça. Ela destacou que a doação deixou de ser vista como um ato de generosidade e passou a ser considerada como um passo necessário para evitar um mal iminente.
A reportagem procurou a assessoria de comunicação da Igreja Universal para obter uma posição sobre a decisão, mas ainda aguarda resposta.
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