Brigadistas indígenas se juntam a técnicas tradicionais para prevenir incêndios.

Na comunidade indígena Xerente, em Tocantínia (TO), a união entre conhecimento técnico e saberes tradicionais é fundamental na abordagem de manejo do fogo. Em um dia dedicado à queima prescrita, anciãos recepcionam brigadistas indígenas, todos capacitados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) através do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo).
A queima prescrita é uma prática controlada que visa a remoção da vegetação seca, potencial fonte de incêndios florestais. Essa técnica não só protege a biodiversidade e a produção rural, mas também favorece a regeneração de ecossistemas, como o Cerrado. O brigadista indígena Adiel Xerente elaborou um plano para o uso dessa técnica em 2026, levando em consideração os impactos do El Niño sobre o clima brasileiro.
"A consulta aos anciãos é essencial, pois respeitamos as decisões coletivas antes de realizar qualquer queima
✨ A queima controlada promove mosaicos de vegetação, que atuam como barreiras contra incêndios futuros.
Embora a queima prescrita tenha efeitos temporários sobre o solo, como a remoção da camada superficial de serrapilheira, as raízes e os microrganismos permanecem, garantindo a saúde do ecossistema.
O território da comunidade abriga cerca de 5.000 indígenas, dispostos em mais de 100 aldeias em uma área de 180.000 hectares. O cacique Lázaro Calisto Xerente, um dos anciãos, destaca que as queimadas históricas visavam a preparação para períodos críticos, e a nova abordagem permite controlar a degradação.
O Ibama, em parceria com a Fundação Bunge, disponibiliza tecnologia, como drones e ferramentas especializadas, para otimizar o monitoramento e a execução das queimadas controladas. A fundação investe anualmente R$ 600.000 para fortalecer a capacidade dos brigadistas.
✨ São apenas três sling dragons operando no Brasil, utilizados pelo Ibama para gerenciar áreas extensas de forma eficiente.
Além disso, a integração entre técnicas contemporâneas e práticas culturais se torna evidente, contribuindo para a educação e inclusão das comunidades indígenas nas estratégias de fire management.
Apesar das estratégias de mitigação, grandes incêndios ainda ocorrem, principalmente em Mato Grosso, Pará, Maranhão e Tocantins, onde mais de 60% da área queimada no país se encontra. A integração entre produtores rurais e comunidades indígenas é vital para a prevenção dos incêndios.
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Jornalista especializado em Meio Ambiente

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