Santa Catarina busca recuperar 600 mil hectares de áreas de APP
Pesquisa avalia remanescentes para restaurar áreas de preservação

Santa Catarina possui 600 mil hectares de áreas de preservação permanente (APP) voltadas para a agropecuária, representando quase 7% do território do estado, que precisa ser recuperado conforme as determinações do Código Florestal Brasileiro.
Em destaque nesta semana do meio ambiente, uma pesquisa da Epagri está sendo realizada para identificar o potencial das áreas remanescentes como fonte de sementes necessárias para a restauração dessas APPs. O biólogo Luiz Fernando de Novaes Vianna, responsável pelo estudo, enfatiza que o objetivo é criar um mapa dos remanescentes mais saudáveis, que possuam maior capacidade de contribuir com insumos para o processo de recuperação ambiental.
✨ Um mapa dos remanescentes naturais será elaborado para identificar áreas saudáveis com potencial de serem usadas na recuperação ambiental.
O projeto, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapesc), está previsto para ser concluído até novembro de 2027. A pesquisa buscará fornecer dados que possam auxiliar instituições públicas e privadas em ações relacionadas ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), um conjunto de medidas que inclui a restauração das APPs.
Vantagens Econômicas e Novas Oportunidades
Vianna destaca que o mapeamento pode fomentar uma nova cadeia produtiva de sementes e mudas de espécies nativas, criando novas oportunidades econômicas para agricultores. "Com a implementação de programas de recuperação ambiental, o agricultor poderá, por exemplo, cultivar árvores em vez de apenas soja, atendendo a vizinhos que precisam regularizar suas propriedades", explica.
Uma ação relacionada a essa iniciativa é o SC Rural 2, um projeto lançado em maio pelo Governo do Estado, que visa apoiar agricultores familiares na regularização de APPs e na implementação de sistemas agroflorestais, integrando produção agrícola com preservação ambiental.
"A preservação tem um viés muito mais social do que econômico, contribuindo significativamente para a qualidade ambiental e a biodiversidade.
Desafios e Mapeamento
Para alcançar os objetivos da pesquisa, será realizada uma análise abrangente sobre como o solo é utilizado, tanto nas áreas de preservação quanto nas que não estão protegidas. Isso permitirá entender a relação entre as políticas agrícolas e ambientais nos últimos quatro décadas.
Além disso, o mapeamento considerará o Índice de Fragilidade Emergente, já calculado anteriormente, que ajuda a priorizar a regularização das áreas conforme sua sensibilidade ambiental.
✨ As florestas litorâneas apresentam os melhores índices de preservação, enquanto o Oeste catarinense enfrenta uma significativa fragmentação da vegetação nativa.
Na busca por um estado de saúde positivo das áreas, o mapeamento usará dados do Inventário Florístico-Florestal, além de imagens de satélite, e incluirá levantamentos de campo para maior precisão.
Vianna afirma que o atual Código Florestal permite que agricultores cultivem e tirem proveito dessas áreas preservadas, garantindo fonte de renda e contribuindo para a sustentabilidade, desafiando a ideia de que a agricultura convencional é a única maneira de abastecer a população.
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