Conflito impacta exportações de cereais e demandas no mercado

O preço do trigo na bolsa de Chicago apresentou alta, impulsionado pela continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia, que são responsáveis por uma parte significativa das exportações globais do grão. Os contratos para entrega em setembro fecharam em queda de 1,71%, cotados a US$ 6,3125 por bushel.
Os recentes ataques ucranianos a portos na Rússia aumentaram a preocupação no mercado em relação ao fluxo de exportação do trigo, especialmente porque a Rússia é o maior exportador mundial deste produto. Luiz Pacheco, analista da T&F Consultoria Agroeconômica, destacou que a suspensão das navegações no Mar de Azov poderá prejudicar até 25% do fornecimento global, o que representa cerca de 35 milhões de toneladas.
Andrey Sizov, especialista da SovEcon, estima que a Rússia pode deixar de vender até 2 milhões de toneladas de trigo mensalmente enquanto a rota do Mar de Azov estiver interditada. Por outro lado, na Ucrânia, os desafios logísticos devem inviabilizar a exportação de entre 1,5 milhões e 2,5 milhões de toneladas mensais, com o país ocupando atualmente a quarta posição entre os principais exportadores de trigo do mundo.
Na mesma sessão, a soja sofreu uma leve queda de 0,13%, fechando a US$ 11,7625 o bushel. Apesar disso, os preços estavam em alta antes do fechamento, influenciados pela crescente demanda da China. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reportou a venda de quase 1 milhão de toneladas de soja para a China, além de agências internacionais informarem sobre a compra de dez novos navios carregados com soja americana pelos chineses.
Embora a demanda seja mais forte, os preços da soja não reagiram significativamente, pois o volume acordado foi considerado baixo, segundo Pacheco.
Já o milho mantiveram-se estável, com os lotes para entrega em dezembro fixados em US$ 4,62 o bushel, sem alteração em relação ao pregão anterior.
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