Juros futuros disparam após tensão no Oriente Médio
Alta nas taxas reflete incertezas políticas e econômicas

Os juros futuros tiveram alta significativa encerrando o pregão desta segunda-feira (8), após oscilações durante o dia. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, por exemplo, subiu para 14,515%, em comparação com 14,295% do fechamento anterior.
Pela manhã, as taxas apresentaram um leve recuo após a alta intensa na sexta-feira, aliviadas temporariamente pela suspensão dos ataques do Irã a Israel. No entanto, a percepção negativa em relação ao conflito no Oriente Médio e a continuidade da revisão nas expectativas para a taxa básica de juros inverteram essa tendência de queda.
✨ O DI para janeiro de 2028 registrou alta para 14,89%, comparado a 14,37%; enquanto para janeiro de 2029, fechou em 14,94%, de 14,82%.
Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, comentou que a queda observada pela manhã era apenas uma correção parcial após a variação de sexta-feira. Segundo ela, a combinação de incertezas no cenário externo e dúvidas quanto à política monetária sustenta a pressão de alta nas taxas.
Rodrigo Franchini, especialista em Soluções de Investimentos da Monte Bravo, destacou que rumores sobre as tensões entre Israel e Irã aumentaram a volatilidade do mercado, mesmo diante de sinais de trégua antes da abertura da B3.
Nos prazos de vencimento mais curtos, a pressão foi ainda maior. Flávio Serrano, economista-chefe do BMG, indicou que a curva de juros passou a prever uma Selic terminal de 14,80% em 2026, além de uma maior possibilidade de manutenção da taxa em junho, com previsão de aperto monetário entre setembro e março, podendo chegar a 15,10%.
Para o setor agropecuário, o aumento nas taxas de juros não só eleva o custo do crédito, como também pode impactar a rolagem de dívidas e encarecer capital de giro, além de afetar investimentos em tecnologia e infraestrutura.
Impacto Econômico
Os juros mais altos tendem a influenciar o câmbio e os preços de insumos ligados ao mercado internacional, como combustíveis e fertilizantes, gerando um ambiente de crédito mais caro.
A trajetória da curva de juros está diretamente ligada ao cenário global e à forma como o mercado percebe a inflação e a política monetária. Sem mudanças significativas nesses aspectos, a tendência é de aumento contínuo nas taxas de juros e maior cautela financeira entre produtores, cooperativas e agroindústrias.
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