Preços firmes, mas atenção às oscilações no curto prazo

O mercado de boi gordo enfrenta um período de estabilidade, marcado pelo equilíbrio nos preços e cautela em relação às movimentações futuras. A consultoria Agrifatto aponta que a situação atual é influenciada por dois fatores opostos que afetam a cotação da arroba.
✨ Exportações robustas e oferta restrita sustentam os valores.
Enquanto exportações aquecidas e uma oferta limitada de animais terminados garantem suporte aos preços, a possível saturação da cota de importação da China e a queda nas cotações futuras na B3 exigem atenção redobrada dos operadores do setor.
"O viés de curto prazo tende a ser mais lateral, com oscilações pontuais conforme o fluxo de oferta e demanda
Na última quarta-feira (22/4), das 33 regiões analisadas pela Scot Consultoria, 24 manteram os preços do boi gordo inalterados em comparação com segunda-feira (20/4). No entanto, algumas praças como Pelotas (RS) e o oeste do Maranhão viram aumentos, enquanto quedas foram registradas em Belo Horizonte (MG) e Dourados (MS).
Em Araçatuba (SP) e Barretos (SP), os preços permaneceram em R$ 365 a arroba para negociações a prazo.
Frigoríficos em São Paulo relataram um aumento pontual na oferta e alguma extensão das escalas de abate, decorrentes do feriado de Tiradentes. Contudo, a oferta se mostrou escassa especialmente para pequenos frigoríficos sem contratos de aquisição, o que ajudou a manter os preços.
"O mercado físico do boi gordo retoma as negociações após o feriado com preços em predominante acomodação, e alguns frigoríficos permanecem ausentes, avaliando suas estratégias
A situação nas escalas de abate apresenta melhora, mas ainda há desafios a serem superados. Segundo Iglesias, um aumento na venda de animais terminados previsto para maio pode acarretar tentativas de compra em níveis inferiores aos atualmente praticados.
No mercado atacadista, os preços mantêm-se estáveis, dificultando a elevação. A lentidão na reposição entre atacado e varejo durante a segunda quinzena do mês é um dos fatores que limitam aumentos significativos. Além disso, a carne bovina continua com menor competitividade em comparação a outras proteínas, como a carne de frango.
A pressão do poder aquisitivo das famílias também leva a um direcionamento do consumo para proteínas mais acessíveis.
As exportações de carne bovina em abril estão em ritmo acelerado, com uma média diária de cerca de 12.779 toneladas enviadas a mercados internacionais. Na parcial de abril, foram embarcadas 153.353 toneladas, com preço médio por tonelada alcançando US$ 6.143,40, um aumento de 22,13% em relação ao mesmo mês do ano passado.
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Jornalista especializado em Mercado Financeiro

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