Sustentado por tensões no Mar Negro e clima adverso nos EUA

O mercado global de trigo enfrenta uma fase de atenção redobrada, impulsionado por tensões geopolíticas e problemas climáticos. Após uma valorização notável, especialistas alertam para a necessidade de cautela entre os investidores.
Os conflitos no Mar Negro continuam a ser um fator decisivo nas cotações, já que ataques a portos e rotas comerciais afetam a nova safra russa. As restrições no Estreito de Kerch, vital para as exportações russas, e os ataques na Ucrânia aumentam a incerteza quanto à oferta de trigo.
✨ A Rússia representa cerca de 22% do comércio global de trigo e espera-se que exporte 47,5 milhões de toneladas na safra 2026/27.
Nos Estados Unidos, a escassez de chuvas em Dakota do Norte e o aumento da área afetada pela seca pressionam o trigo de primavera, levando os preços em Chicago a máximas não vistas desde 2024. Em contraposição, as vendas semanalmente registradas ficaram em 235 mil toneladas, um número abaixo das expectativas do mercado.
Em relação à nova safra, o volume comercializado até agora já mostra uma queda de 22,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Por outro lado, a Argentina se destaca com 92% da área plantada e 96% das lavouras apresentando boas condições, o que pode incrementar suas exportações até o final do ano.
O aumento dos preços devido a fatores geopolíticos pode não ser sustentável. Especialistas recomendam uma abordagem escalonada na comercialização da nova safra e que os agentes do mercado fiquem atentos a novas variantes que possam impactar a oferta.
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Jornalista especializado em Mercado Financeiro

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