Pesquisa revela avanço significativo no uso de inteligência artificial pelas empresas brasileiras, mas destaca falhas na gestão e governança.

O uso de inteligência artificial tem avançado rapidamente nas empresas brasileiras, superando as capacidades de organização de regras e controles em torno dessa tecnologia. Um estudo da Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec), do IBGE, mostra que a adesão na indústria saltou de 16,9% para 41,9% entre 2022 e 2024, representando um crescimento absoluto de 1.619 para 4.261 empresas que utilizam essas soluções.
Apesar desse crescimento expressivo, a gestão da inteligência artificial ainda não acompanha o ritmo da adoção. De acordo com pesquisa da Fiesp, a governança em IA recebeu uma média de 2,8 em uma escala de 5, a menor entre todos os critérios avaliados. Essa discrepância é frequentemente evidenciada por diagnósticos de maturidade da Premiersoft, que apontam que, embora protótipos funcionem e testes avancem, os desafios estruturais surgem ao tentar escalar os sistemas para produção em grande escala.
✨ Rodrigo Hülsenbeck, CEO da Premiersoft, destaca que as empresas enfrentam barreiras não tecnológicas na hora de implementar a IA em larga escala.
Os entraves estão concentrados em três áreas principais: primeiro, a cultura organizacional, com equipes que resistem a abraçar a nova tecnologia; segundo, a governança de dados, que carece de controles de segurança e privacidade adequados; e, terceiro, a qualidade dos dados, onde faltam critérios para avaliar a confiabilidade dos resultados entregues pelos sistemas.
Hülsenbeck propõe cinco perguntas que a liderança deve responder antes de ampliar o uso de IA: a empresa sabe qual problema de negócio quer resolver? Os resultados dos sistemas são avaliados adequadamente? Existe um responsável pela governança de riscos associados à IA? Há controle de acesso para garantir a proteção de dados sensíveis? E, finalmente, as equipes confiam e sabem utilizar a ferramenta de forma eficaz?
O executivo ressalta que, mesmo com o acesso à tecnologia mais facilitado, as empresas que ignoram questões de governança e capacitação enfrentam dificuldades em escalar suas operações com segurança. Criar protótipos é uma coisa, mas a verdadeira implementação e uso contínuo exigem uma estrutura sólida de governança.
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Jornalista especializado em Negócios

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