Análise técnica nas fusões é negligenciada no setor de tecnologia
A falta de diligência operacional pode trazer prejuízos significativos

Embora o Brasil tenha registrado um expressivo número de fusões e aquisições no setor de tecnologia em 2025, a análise técnica, ou due diligence, muitas vezes é deixada de lado nas negociações. O setor respondeu por cerca de 40% das 1.581 transações realizadas, segundo dados de mercado.
Iris Sasso Canova, advogada da IPV7, alerta que focar apenas nos aspectos financeiros pode resultar em problemas graves posteriormente. "Quando a análise para na planilha de faturamento, o comprador não vê os problemas que vão aparecer depois, na operação do dia a dia," explica.
✨ Diligência técnica poderia evitar surpresas desagradáveis.
Iris enfatiza que os riscos em compras de provedores de internet, por exemplo, raramente estão documentados nos balanços financeiros. Mesmo que uma empresa apresente um alto faturamento, ela pode ter infraestruturas irregulares que não são visíveis sem uma avaliação técnica rigorosa.
A advogada argumenta que a avaliação da infraestrutura e dos sistemas internos deve ser parte essencial de qualquer negociação, e não se limitar às análises jurídicas e contábeis. "A diligência técnica fornece um mapeamento real da condição da rede e identifica problemas que podem limitar o crescimento futuro da empresa," observa.
Além disso, problemas como débitos relacionados à arquitetura de software podem ser tão onerosos quanto a infraestrutura física mal avaliada. Modernizações após a aquisição podem consumir o retorno esperado pelo investidor nos primeiros anos.
Iris ilustra sua preocupação com um exemplo comum: um fundo que adquire um provedor regional com bons números, apenas para descobrir posteriormente que a rede óptica não está regularizada. "O capital que deveria ser destinado à expansão acaba sendo usado para corrigir falhas que já deveriam estar resolvidas antes da compra," conclui.
A pressa nas negociações alimenta esse ciclo de problemas, pois a rapidez é priorizada em detrimento da análise técnica. "Optar por um processo de diligência técnica mais econômico é, na verdade, a escolha mais dispendiosa para um comprador, pois esses problemas se tornam evidentes apenas após a finalização da compra," finaliza Iris.
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