Movimento ocorre após negociações com credores sobre dívidas financeiras.

A Braskem, uma das principais empresas do setor petroquímico no Brasil, protocolou nesta segunda-feira (24) um pedido de recuperação extrajudicial com o intuito de reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões (R$ 56 bilhões) em dívidas. Essa iniciativa visa assegurar a continuidade operacional da empresa em um cenário desafiador.
A companhia fez seu comunicado ao mercado reafirmando que o pedido foi apresentado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo, após a autorização do seu Conselho de Administração e em meio a intensas negociações com seus credores.
✨ A recuperação extrajudicial permite que a Braskem renegocie suas dívidas diretamente com os credores, sem afetar seus compromissos com fornecedores e clientes.
Este processo de recuperação é limitado às dívidas financeiras e não afetará as obrigações atuais com fornecedores e parceiros. A Braskem afirmou que continuará a cumprir com seus contratos vigentes, mesmo durante a reestruturação.
Recentemente, a empresa tem se concentrado em reestruturar mais de US$ 10 bilhões em dívidas, sendo uma parte significativa relacionada a títulos emitidos no exterior. A proposta de reestruturação espera conceder novos prazos, taxas de juros menores e períodos maiores de carência às suas obrigações.
Além disso, a Braskem Idesa, sua subsidiária no México, também enfrenta desafios financeiros e processou um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos sob o Chapter 11, que permitirá à empresa manter suas operações durante as negociações.
As dificuldades financeiras da Braskem são atribuídas a múltiplos fatores, como o desastre geológico em Maceió, que envolveu a desapropriação de mais de 14 mil imóveis e gerou um impacto significativo nas finanças da empresa, com investimentos já ultrapassando R$ 4,2 bilhões para indenizações e realocações.
Outro fator agravante é a deterioração no mercado global petroquímico, onde a expansão da capacidade produtiva da China levou a uma queda nos preços e a uma redução no consumo. Este cenário resultou em um EBITDA recorrente de apenas US$ 557 milhões em 2025, uma queda acentuada de 49% em comparação ao ano anterior.
Além dos desafios operacionais, a Braskem passou por uma recente mudança de controle acionário, onde o fundo Shine I adquiriu a participação de controle do grupo Novonor (ex-Odebrecht), passando a compartilhar o controle com a Petrobras.
A Braskem, que começou suas atividades em 2002, é um importante player no setor petroquímico, produzindo resinas termoplásticas e insumos químicos em diversas localidades ao redor do mundo, atendendo a uma extensa clientela.
✨ Com receita líquida de R$ 70,7 bilhões em 2025, a Braskem ainda enfrenta turbulências significativas e uma pressão financeira resultante de sua alta dívida.
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