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Raízen inicia recuperação extrajudicial de R$ 65 bilhões envolvendo gestoras

Gestoras disputam participação na reestruturação de dívida massiva da Raízen

Mariana Souza18 de junho de 2026 às 14:00
Raízen inicia recuperação extrajudicial de R$ 65 bilhões envolvendo gestoras

A Raízen, considerada a maior empresa do Brasil em reestruturação de dívidas com um montante aproximado de R$ 65 bilhões, está no centro das atenções das gestoras conhecidas como 'special sits', que buscam negociar a recuperação da companhia.

O plano de recuperação visa dividir a empresa, atualmente controlada pela Cosan e Shell, em duas unidades distintas: uma focada na produção de açúcar e etanol e outra dedicada à distribuição. Assim, duas gestoras poderão ser selecionadas para assumir parte do crédito dos credores.

Diversas gestoras estão disputando a recuperação da Raízen, que envolve um amplo leque de credores, incluindo cerca de vinte bancos e investidores de títulos da dívida local e externa.

Fontes do setor indicam que a gestora Makalu pode ser uma das candidatas a assumir a unidade de açúcar e etanol, enquanto a Geribá é vista como favoritíssima na parte de distribuição. Outras gestoras também estão em negociações diretas com os credores, o que pode intensificar a competição entre elas.

A IG4, que recentemente assumiu o controle da Braskem, já apresentou uma proposta aos credores. Essa proposta inclui a conversão de 45% da dívida em participação acionária, que será dividida entre as duas novas empresas resultantes da Raízen.

Além disso, a IG4 ofereceu diferentes opções aos credores, como a aquisição do crédito a ser convertido em ações ou a posse de derivativos, e até cotas do fundo que irá gerir as ações da nova companhia. Contudo, a decisão dos credores ainda levará tempo, pois a conversão da dívida em ações deve acontecer até março do próximo ano.

Contexto da Estruturação

Em reestruturações de grande porte, como a da Raízen, a criação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) é comum, permitindo aos credores participar de forma estruturada e garantir benefícios futuros, como um ‘earn-out’ em caso de liquidez da empresa.

Atualmente, os credores estão em processo de seleção para o Cargo de Consultor de Reestruturação de Credores (CRAO), com candidatos notáveis como Camille Faria e Mateus Tesler competindo pela posição, mostrando a complexidade do projeto e o interesse do mercado na recuperação da Raízen.

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