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Raízen negocia reestruturação de dívida de R$ 65 bilhões

A empresa avança com plano de recuperação e participação de credores internacionais

Tiago Abech03 de junho de 2026 às 13:05
Raízen negocia reestruturação de dívida de R$ 65 bilhões

A Raízen estabeleceu um acordo com seus credores para avançar com um plano de recuperação extrajudicial, visando reorganizar uma dívida total de R$ 65 bilhões. O plano agora inclui os detentores de R$ 27 bilhões em debêntures emitidas no exterior, que representam 40% do total da dívida.

Apoio Significativo dos Credores

Recentemente, a companhia alcançou progressos nas tratativas com credores locais e conseguiu retomar as discussões com os investidores estrangeiros. Essa colaboração indica que o quórum necessário para a aprovação do plano poderá ser superior ao mínimo exigido de 50%, podendo chegar até 75%.

Raízen converterá 45% de sua dívida em participação acionária, com preço de R$ 0,25 por ação.

A votação da estratégia de recuperação pelos credores será realizada em comitês específicos e na assembleia de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). Os credores receberão mais de 80% do capital da empresa após a conversão de parte da dívida em ações.

Detalhes da Reestruturação da Dívida

O restante da dívida será transformado em novos títulos, com a Raízen Combustíveis e a Raízen Energia emitindo papéis que terão vencimentos entre 2032 e 2035. As taxas de remuneração variam, dependendo do perfil do credor, seja ele local ou internacional.

Opções para Credores

Os credores terão a escolha de receber os valores devidos em dinheiro com um desconto significativo, além de opções de remuneração em CDI nos dois cenários.

Uma reestruturação mais ampla da Raízen será efetivada até 2027, dividindo as operações de açúcar e etanol da parte de combustíveis. Além disso, a empresa está planejando desinvestimentos significativos, como a venda de ativos na Argentina, que pode gerar até US$ 1,4 bilhão.

Com o pedido de recuperação extrajudicial apresentado em março, a Raízen busca uma estrutura de capital menos alavancada. O plano também inclui um aporte significativo de R$ 3,5 bilhões da Shell e uma potencial injeção de R$ 500 milhões por Rubens Ometto, que pode garantir um assento no conselho de administração, dependendo da decisão até o primeiro trimestre de 2027.

Até a implementação das mudanças, a gestão da empresa ficará a cargo de um comitê de transição, liderado pelo CFO, Lorival Luz.

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